Ligia Barroso e
Carolina Avansini
Especial para Folha
Iniciativa da parceria estabelecida entre a Universidade Federal do Paraná, Prefeitura de Curitiba e do Sistema Sinduscon, o Projeto Construção Enxuta será lançado durante o seminário ‘‘Planejamento e Controle da Produção na Construção’’, que será realizado amanhã e terça-feira, em Curitiba, na sede do sindicato.
Com o objetivo de desenvolver ações voltadas à melhoria dos processos na cadeia produtiva da indústria da construção civil paranaense, o projeto coordenado por pesquisadores, profissionais e empresários, estabelecerá metas para o próximo ano recorrendo a algumas propostas já apresentadas em ciclos de palestras técnicas, organizadas pela Universidade Livre da Construção (Unicons).
Durante os últimos meses, diversos profissionais abordaram e discutiram experiências, que resultaram na divulgação do sucesso obtido com a utilização de técnicas e sistemas para o gerenciamento de negócios com planejamento e controle na produção – estratégia para reduzir custos e ganhar em produtividade e competitividade.
Entre os novos conceitos adotados para a redução de custos e que proporcionam uma ‘construção enxuta’, está o sistema treliçado global, apresentado pelo engenheiro londrinense Vitor Faustino Pereira, mestre em estruturas pela Escola Politécnica da USP e diretor da estrutural Projetos e Consultoria (leia matéria na página 2).
Tecnologia ainda pouco difundida no Brasil, mas que promete reduzir custos em obras horizontais e verticais, o treliçado global substitui com vantagens a tradicional laje maciça, na medida em que possibilita diminuir o uso de armaduras, formas, escoramentos e mão-de-obra.
‘‘O sistema permite diminuir o número de vigas e pilares, tornando a planta mais flexível. Necessita de menos escoramento e reduz o volume de concreto aplicado na obra, gerando economia com transporte. Por ser pré-fabricado, é muito fácil de montar e exige pouca mão-de-obra. Esse fator também permite diminuir o prazo de execução da estrutura, disponibilizando funcionários para trabalharem em outros setores’’, argumenta Pereira.
A laje treliçada é bem mais leve que a similar maciça, porque recebe aplicação de EPS – ou isopor – como material de enchimento. Além de aliviar o peso e facilitar a montagem, o EPS é um excelente isolante termo-acústico e transfere essas características para o edifício pronto. A superfície inferior do sistema é bastante lisa, permitindo o acabamento em gesso projetado ou massa corrida acrílica, eliminando as fases de chapisco, reboco, calfino e massa corrida.
Londrina é pioneira na utilização dessa tecnologia e o engenheiro ressalta que as experiências têm sido muito bem-sucedidas. Ele cita o exemplo do edifício Twin Towers, na Avenida Tiradentes, composto por duas torres de 20 andares. ‘‘A construtora já tinha feito a opção pela laje maciça mas modificou o projeto quando apresentamos a solução treliçada. O sistema possibilitou redução sensível no custo da estrutura’’, afirma.

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