Empresas devem terceirizar serviços
Da Redação
As empresas de construção civil que pretendem manter-se no mercado e evoluir devem aderir, desde já, a um novo modelo de gestão ditado pela grande concorrência e exigência de qualidade. A opinião é do engenheiro e especialista em tecnologia e desenvolvimento, Pierre Antoine Prelorentzou, dono de uma empresa de consultoria em Brasília. Ele esteve em Londrina a convite do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL) e Sinduscon, e proferiu palestra sobre tecnologia ao grupo de projetistas e empresas filiados às entidades e que estão se preparando para implantar o programa Qualidade 2000.
Pierre disse que a área de inovação tecnológica é abrangente, mas a globalização da informação torna o acesso rápido e fácil para todos. Considera, atualmente, a gestão empresarial como uma dessas inovações e o ponto forte a ser desenvolvido. O modelo de administração das empresas deve mudar, partindo-se para a tercerização dos serviços, entende, destacando que há alguns anos era orgulho para o empresário ter 300 ou 400 funcionários. Hoje o empresário se orgulha quando a empresa cabe em 50 metros quadrados.
Cita como exemplos a Birman Engenharia, de São Paulo, que com cerca de 20 empregados fatura entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões por ano, e a filial no Brasil da americana Turner, menor ainda em termos de estrutura e com faturamento anual proximado a 60 milhões de dólares. O fim da inflação reduziu o lucro operacional e quem não enxergar isso, não vai conseguir se viabilizar no mercado.
Ele calcula que essa mudança deve se concretizar num prazo de três anos, simultaneamente às alterações também no perfil do profissional da engenharia e da arquitetura. O engenheiro, entende o especialista, deve deixar de ser o homem que faz contas e passar a administrar o dia-a-dia de uma construção. O profissional, na verdade, precisa também se reciclar técnica e gerencialmente. Além disso, Pierri defende a introdução no currículo escolar para formar engenheiros mais atualizados e mais informados com o que ocorre no mundo atual.
Quando ao arquiteto, Pierri preconiza uma mudança ainda mais radical e acha que o profissional brasileiro deve assumir, assim como acontece fora do Brasil, o gerenciamento de todo um projeto. No Brasil, eles são formados não como executores de empreendimentos, mas como criadores, quase que um artista. Mas, como já começa em grandes empreendimentos, o arquiteto deve estar por dentro do que acontece no canteiro de obras. É uma questão, segundo ele, de exigência de mercado e quem sair na frente com competência ficará na primeira fila da largada.
As dicas e novas informações do grupo engajados no chamado Programa de Melhoria da Qualidade e Produtividade na Indústria Civil Qualidade 2000. é um programa que tem o Sebrae à frente , com apoio do Clube de Engenharia e do Sinduscon, e que deverá ser desenvolvido em dez meses. O projeto foi encaminhado ao CNPq, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, em busca de recursos a fundo perdido.
O dinheiro ainda não veio, mas o grupo já está se preparando ao participar de eventos como a palestra do especialista de Brasília. Integrantes desse grupo, inclusive, devem visitar, em outubro, uma feita de tecnologia em Bologna (Itália), compondo uma comitiva coordenada pelo Programa Paraná-Europa. Temos que buscar cada vez mais subsídios, defende o presidente do CEAL, Clóvis Bohrer Filho.Especialista defende alterações na gestão de empresas do setor. Mudanças devem atingir também o perfil dos profissionais de engenharia e arquitetura
Jaelson Lucas/DivulgaçãoO CONSULTORPierre Prelorentzou faz palestra para grupo de projetistas e empresas que se prepara para implantar o programa Qualidade 2000





