JORNADA TECNOLÓGICA Em pauta, a adoção de novos conceitos Avaliação Pós-Ocupação e Construção sem Perdas são instrumentos recentes no controle da qualidade e eficiência do processo construtivo Arquivo FolhaMODELO O conceito da Construção sem Perdas adota metodologias que viabilizam resultados favoráveis quanto à geração de valor agregado ao produto desenvolvido, sem que isso resulte em aumento de gastos, de prazos ou de perda de qualidade Da Redação Dois novos conceitos que estão sendo introduzidos no setor da construção e já começam a fazer diferença no mercado serão os temas da II Jornada de Tecnologia aliada à Construção, realizada pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), no próximo dia 17: a Avaliação Pós-Ocupação (APO) e a Lean Construction. A Jornada acontece dentro da programação do 1º Congresso Paranaense do Ambiente Construído (Copac), evento paralelo à FeiraCon 2000-Feira da Construção. A Avaliação Pós-Ocupação ainda é um instrumento recente na história da construção civil e tem se mostrado eficaz para o controle da qualidade e retroalimentação de todo o processo construtivo. As informações obtidas junto aos moradores fornecem subsídios tanto para as construtoras quanto às incorporadoras para que possam entender e atender melhor seus clientes. ‘‘Em função da competitividade instalada no mercado, as empresas usam esse processo como ferramenta gerencial importantíssima. Com a APO já foram detectados problemas comuns a prédios de muitas empresas e que são geradores de muita insatisfação nos clientes’’, comenta a engenheira Margaret Jobim, mestre em Engenharia Civil, especialista em qualidade e produtividade em Engenharia de Produção e especialista em patologias na construção civil. Margaret Jobim é de Santa Maria (RS) e irá proferir a palestra de abertura da Jornada. Ela começou a trabalhar com a APO há cerca de seis anos, inicialmente como um trabalho acadêmico, e hoje o instrumento já é utilizado por várias empresas do País. Entre os itens que geravam insatisfação nos clientes detectados pela pesquisa, Margaret cita os elevadores mal dimensionados, inseguros e que não mantinham assistência técnica adequada; dimensionamento das portas internas dos apartamentos; e, mais recentemente, a avaliação está constatando insatisfação dos moradores com os espaços destinados às garagens. ‘‘Esses são problemas antigos mas só agora temos dados concretos para mostrar ao construtor que o seu cliente está insatisfeito e porque ele está insatisfeito’’, observa Margaret. Ela comenta ainda que já há uma empresa no Rio Grande do Sul que redimensionou o espaço da garagem de uma obra em andamento e está direcionando todo o marketing do edifício para esse diferencial. A APO também serve para avaliar o desempenho dos materiais aplicados na obra e com essa avaliação eliminar os problemas na especificação dos insumos. Segundo a engenheira, a APO é realizada, pela primeira vez, seis meses após a entrega do prédio e depois, a cada dois anos. A arquiteta Sheila Ornstein, professora titular e vice-diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, também participa da Jornada abordando a APO. Ela já coordenou várias pesquisas APO aplicadas a conjuntos habitacionais e é autora de publicações e vídeos sobre o tema.