Em 2005, sobrou dinheiro para financiar habitação
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domingo, 08 de janeiro de 2006
Agência Estado 
Brasília - Sobrou dinheiro para financiamento da habitação no ano passado, particularmente no segmento popular em que a renda mensal das famílias é de até cinco salários mínimos. Apesar do esforço para conseguir contratar um orçamento de R$ 10,91 bilhões, praticamente o dobro do ano anterior, a Caixa Econômica Federal fechou 2005 sem conseguir comprometer todo o recurso com o financiamento habitacional.
Pelos dados da Caixa, foram contratados até o início de dezembro R$ 6,53 bilhões para a compra ou construção de 342.890 unidades habitacionais. Outros R$ 1,7 bilhão podem ter sido contratados até o final do mês passado. Em 2004, foram emprestados cerca de 12% menos.
Segundo a diretora de Habitação da Caixa, Márcia Kumer, o principal problema para se conseguir empenhar um orçamento dessa magnitude é que a maioria dos projetos, principalmente os voltados para a população de baixa renda, começa literalmente do zero. As prefeituras precisam fazer o levantamento da demanda, cadastrar os futuros mutuários - muitos deles sem CPF e outros documentos exigidos - fazer o projeto, arrumar a infra-estrutura do conjunto habitacional e só aí dar início à obra e ainda cumprir as exigências para pegar o dinheiro. Muitas vezes, a Caixa, que deveria ser apenas o agente financeiro, colabora em todo o processo.
''Financiamento habitacional para a faixa de renda de até cinco salários mínimos não é um negócio de balcão, onde o cliente vem com todos os papéis só para pegar o empréstimo. É uma engenharia complicada, que leva tempo para ser montada e executada'', argumenta a diretora da instituição.
Ela observa que a Caixa, sozinha, ainda domina o mercado. Pelos dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) todos os bancos privados juntos emprestaram, em 2005, pouco mais de R$ 3,5 bilhões, o suficiente para o financiamento de 43.156 unidades habitacionais. O setor estima que os recursos para financiamento habitacional da classe média tenha atingido R$ 4,5 bilhões no final do ano passado. Em termos de unidades habitacionais financiadas, foram pouco mais de 10% do que a Caixa.
Para 2006, além dos recursos da poupança dos bancos privados e da Caixa, o setor de habitação contará com outros R$ 6,8 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), totalizando pelo menos R$ 16 bilhões.


