Elevador de emergência não poderá chegar ao subsolo
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sábado, 13 de outubro de 2007
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Os elevadores de emergência de edifícios com mais de 20 pavimentos e de hospitais e assimilados cuja altura ultrapasse os 12 metros não podem mais descer até o subsolo da construção. A mudança na regra deve-se a uma nova interpretação dada em agosto pelo Corpo de Bombeiros do Paraná à NBR 9077/1993, que trata das vias de abandono em edifícios altos. Na prática, esta medida significa que muitos prédios, em fase de construção, deverão ter três elevadores (social, serviço e emergência).
De acordo com o engenheiro civil do Corpo de Bombeiros, capitão Emerson Luiz Baranoski, a nova interpretação é uma medida de precaução a possíveis acidentes em função do elevador de emergência ser utilizado também para descarga e ir ao subsolo somente com ventilação natural. ''Esta preocupação surgiu após constatarmos que projetos em fase de aprovação apresentavam o elevador de emergência também sendo usado como de serviço. O subsolo é uma área inapropriada de escoamento. Além disso, a antecâmara dos elevadores que vão até o subsolo possui ventilação natural e não forçada. Esta ventilação evita que, no caso de incêndio, o fogo ou fumaça passem pelas paredes enclausuradas'', explica.
Além de facilitar a fuga dos moradores, o elevador de emergência serve para dar acesso às equipes de socorro aos andares superiores da construção em caso de acidentes. Pela norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o equipamento deve estar instalado sempre próximo à saída do prédio. A NBR 9077 exige que os elevadores de emergência tenham caixa enclausurada por paredes resistentes a quatro horas de fogo, casa de máquinas própria para seu comando, que deve estar localizada no térreo, e um gerador externo, para que funcionem mesmo na falta de enegia elétrica na rede pública.
A medida desagradou arquitetos e engenheiros porque a construção de um novo elevador, além requerer mais espaço, onera os custos da obra. De acordo com o engenheiro civil Valdir Carrion, especializado em projetos hidráulicos e prevenção a incêndios, o custo de instalação de um elevador em um prédio de 20 andares pode chegar a R$ 300 mil para ser dividido entre os condôminos. ''Acredito que esta preocupação é exagerada. Uma sinalização visual na caixa do elevador informando que em caso de emergência a saída é pelo térreo seria uma solução eficiente e a um custo zero, sugere Carrion.
Arquiteto e membro da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Brasil no Paraná (Asbea-PR), José Smolka, questiona a forma como a alteração foi feita. ''As entidades não foram informadas oficialmente e não houve nenhum diálogo sobre esta mudanças ou prazos para adequação'', critica. O arquiteto considera a alteração precipitada. ''O que está previsto em Normas continua sendo questionado, avaliado e modificado, pois trata-se de um processo dinâmico e evolutivo em que novas tecnologias devem ser consideradas.
Mantido o rigor da interpretação adotado, teremos que considerar a previsão do terceiro elevador'', aponta.
De acordo com o capitão Baranoski, não é necessária a instalação de um novo elevador. ''Os projetos devem se adequar de tal forma que o elevador de emergência que também é utilizado como de serviço possua um sistema de pressurização da antecâmera que impeça a entrada de fogo e fumaça em caso de incêndio. Outra exigência, é que um sistema garanta que as portas existentes abaixo do subsolo estejam sempre fechadas. Tecnicamente tudo é possível, desde que comprovada a eficácia'', afirma. Segundo o engenheiro, o Corpo de Bombeiros até incentiva o uso do elevador de emergência para descarga. ''Não é interessante ter um elevador ocioso a maior parte do tempo para ser utilizado apenas em emergências. Para que suas condições de manutenção sejam avaliadas é interessante que esteja em uso'', destaca.


