A partir dessa semana, a paisagem urbana de Londrina começa a mudar e, com ela, toda a Avenida Higienópolis, no centro da cidade. A construtora Montosa começa a montagem, em seu novo edifício comercial Eurocenter, parte dos 2.700 metros quadrados de vidro reflexivo, que comporão cerca de 80% da fachada do prédio de 20 andares.
Conhecido como 'structural glaising', o recurso arquitetônico traz os vidros ''colados'' sobre estrutura de alumínio montada pela firma norueguesa Hydro (em sua primeira obra no Estado), formando uma curvatura suave. O restante da fachada será revestida em porcelanato bianca crema. Para isso, a fábrica desenvolveu um projeto de aplicação específico, que levou em consideração todos os fatores ambientais - radiação solar, umidade, ventos - para garantir a durabilidade e boa aparência por anos.
A enorme parede de vidro, porém, será apenas um das novidades que o edifício estará colocando no mercado imobiliário paranaense. O prédio, que deve ser entregue entre dezembro deste ano e março de 2004 e que já foi totalmente comercializado, traz soluções estruturais inéditas desde sua fundação e uma concepção totalmente nova para prédios comerciais.
De acordo com o arquiteto Rodney Montosa, responsável pela construtora, a idéia foi buscar um nicho de mercado ainda pouco explorado. ''Nós buscamos o detalhe bem resolvido, o trabalho diferenciado. Não queremos fazer o que todo mundo faz'', afirma. Montosa, que foi responsável pelo primeiro prédio em Londrina com structural glaising, o Rio Center, localizado na esquina das ruas Rio de Janeiro com Alagoas, realmente inovou com o Eurocenter. ''A cidade oferece ótimas opções em edifícios residenciais, mas na parte comercial Londrina não acompanhou a revolução tecnológica que ocorreu'', explica.
Soluções de espaço - Para desenvolver o projeto, a área de engenharia civil também trouxe inovações visando maximizar soluções criativas de espaço. Segundo a engenheira responsável pela obra, Ivani Gonçalves da Silva Mariano, as fundações do edifício foram executadas com uma técnica pouco usual por aqui, conhecida como 'estacas escavadas com lama betonítica'. ''Nesse sistema, ao se retirar a terra com dragas, o espaço é preenchido com lama a fim de evitar o desmoronamento. A lama só é retirada quando do lançamento do concreto'', explica a engenheira.
Na construção do Eurocenter foi utilizado o concreto de alta resistência, de secagem rápida e muito mais resistente que o comum, o que proporcionou uma economia de tempo e material, mais espaço útil e reduziu o custo final da obra. Em Londrina, para se ter um exemplo, a técnica de protensão foi usada nos viadutos sobre a avenida 10 de Dezembro (Via Expressa).
Sobre uma forma reaproveitável de alumínio - 'sistema topec', de tecnologia alemã - o concreto foi lançado sobre as cordoalhas e, cinco dias depois, foi feito o estiramento dos cabos. ''Este sistema permite uma obra limpa, porque diminui os pilares e as tradicionais escoras'', diz Ivani. ''Estudantes de arquitetura e engenharia de Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e até outros Estados visitaram o Eurocenter atraídos pela possibilidade de ver uma obra do tipo'', conta Montosa.
Segundo Ivani, a protensão, dentre outras vantagens, permitiu a redução da espessura da laje para 18 centímetros. Isso resultou um ganho de espaço no pé direito. ''Em vez do pé direito de 2,92 m, cuja medida tradicional é 2,70 m, oferecemos 3,10 m, um atrativo a mais para os empresários'', explicou.
As divisões internas em dry wall, o teto rebaixado de fibra mineral e o piso elevado - sob o qual estão todas as fiações e cabeamentos - também foram escolhidos para permitir uma readequação de espaço rápida, de acordo com a necessidade da empresa. ''Em um final de semana, a empresa pode mudar paredes, instalar mais tomadas ou pontos de lógica (para computadores e comunicação), readaptar todo seu layot, bastando trocar de local algumas placas'', aponta Rodney Montosa.

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