Reduzir custos e valorizar a segurança e o conforto da família estão entre os principais pontos que devem ser observados quando se pensa em construir uma casa. Desde a escolha do terreno, a orientação de um bom profissional de arquitetura pode ajudar a tornar a obra mais barata e o imóvel mais sustentável quando pronto. Mas qual deve ser a primeira preocupação de quem está disposto a construir?
O arquiteto Clovis Bohrer, vice-presidente do Sindicato da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte/PR), destaca que a oferta de serviços e a mobilidade a partir do local do terreno escolhido devem estar entre os principais cuidados. "Deve-se observar se o deslocamento de trânsito para o trabalho é tranquilo; quem tem filho pequeno, deve olhar se tem colégio perto; e também é importante ver o tipo de atividade que tem na rua, se é comércio, se está perto de bares", orienta.
Outro ponto a ser considerado é a topografia do terreno. Declives podem tornar o projeto mais interessante e desafiador, no entanto, farão com que ele seja mais caro. "Imagine que você comprou um lote em um condomínio. Se for construir sobrado, sobra mais terreno para área de lazer, mas se for um projeto, por exemplo, para um casal de idosos, o arquiteto tentaria pensar em uma forma de fazer a suíte no térreo", exemplifica.
A orientação do terreno em relação à luz solar é outro fator relevante para o conforto dos moradores após o fim da obra. "Londrina é uma cidade com a maior parte do ano quente. Se você tem a frente do terreno virada para o oeste (quando bate o sol da tarde) não é ideal colocar os quartos na frente, para não aquecer muito", explica. O posicionamento inadequado do terreno também pode levar a gastos excessivos, tanto com isolamento térmico durante a obra, quanto com ar-condicionado durante o uso.

Condomínio
Por questões de segurança, muitos compradores optam, hoje, por investir em terrenos em condomínios fechados, mesmo estes sendo mais caros. Na opinião de Bohrer, "o ideal era que a cidade toda fosse como um condomínio", sem muros nas casas. No entanto, com a segurança pública falha, apenas o preço afasta dos condomínios e quem acaba por construir na rua, tem que fazer altos investimentos em segurança.
"A questão da falta de segurança tira a beleza da nossa cidade. Vemos bairros de casas com muros e portões altos; a arquitetura teve que se adequar e absorver isso", afirma o arquiteto, deixando claro seu descontentamento com as exigências, que acabam transformando os condomínios em verdadeiras muralhas.
Independente do tipo de terreno e de projeto que se precisa, buscar orientação profissional torna-se a dica mais valiosa: "É a mesma coisa da automedicação. Nas propagandas das imobiliárias deveria vir escrito ‘antes de comprar, consulte um arquiteto’", finaliza Bohrer.

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