O mercado de decoração – mobiliário e objetos – parece estar decidido a fazer as pazes com a natureza e vem se envolvendo cada vez mais na fabricação de produtos ecologicamente corretos. A mudança se deve principalmente a uma pressão mundial no sentido de preservar os recursos naturais e opção pela produção sustentada, no caso de madeiras e outros materiais de origem natural.
Mas a pressão não vem só por parte dos governos e instituições ecológicas. O consumidor exigente e consciente não é mais uma raridade. Mesmo no Brasil, ele está cada vez mais exigente no que se refere a qualidade e tem se mostrado particularmente preocupado em escolher produtos que possam ser reutilizados ou sejam biodegradáveis.
Para atender a esta demanda, várias empresas de mobiliário têm adotado a postura de utilizar apenas materiais 100% recicláveis em suas peças. A proposta serve de chamariz, aumenta a clientela e ao mesmo tempo ajuda na conservação do meio ambiente – não polui.
Além de significar pontos a mais à favor da natureza, os móveis feitos com materiais recicláveis podem ser até duas vezes mais resistentes. Pelo menos é o que argumenta Tatiana Mandelli, diretora da Tidelli, empresa de Curitiba (PR) que fabrica móveis para áreas externas. Os materiais são exaustivamente pesquisados e modificados para terem o acabamento perfeito, texturas bonitas e agradáveis.
O alumínio com pintura eletrostática; telas de poliéster; espumas especiais; madeira de reflorestamento e o PVC são alguns do materiais utilizados nos móveis da Tidelli. A empresa investe na pesquisa desses novos materiais. O PVC, por exemplo, passa por um processo especial de amaciamento para depois ser tramado, imitando o rattan. O objetivo é garantir a qualidade e a beleza sem ferir os princípios ecológicos.
‘‘Nossa fábrica é pioneira nesta linha de produtos. Além de usar materiais totalmente recicláveis, não gera nenhum resíduo em seu processo industrial e toda sobra é reprocessada.’’, afirma a diretora.
Outro exemplo de empresa que trabalha dentro do sistema de produção de móveis ecológicos é a Casual. Além do alumínio, esta empresa utiliza fibras provenientes de áreas administradas dentro do sistema de manejo sustentado, com a aprovação do Ibama, no Brasil (linha Amazônia). O mesmo acontece quando o material vem de outros países.
A linha de móveis Teak-Tropitone, por exemplo, feita com a madeira de uma árvore indonésia chamada Teak, é resultado de matéria-prima colhida em uma área de reflorestamento. Esta madeira é considerada uma das melhores do mundo pela sua beleza e resistência – tem uma durabilidade de 15 anos mesmo quando sem tratamento.
Para evitar o desaparecimento da espécie, o governo tailandês obriga as empresas de extração a terem área própria e a plantar cinco novas árvores para cada uma cortada. Ana Paula Juck, da Helena K. Presentes, única loja representante da Casual em Londrina e região, explica que a madeira Teak utilizada pela Casual vem da Plantação Gloster.
Isto significa um preço também mais acessível? Não, pelo menos por enquanto . As empresas argumentam que o desenvolvimento de tecnologia apropriada ainda é caro. Mas se não são mais baratos, também não são mais caros. Os móveis produzidos dentro dos padrões ecológicos corretos têm o mesmo preço, comporados a produtos da mesma qualidade mas que não são ecológicos caros. Logo, podendo, vale a pena investir no futuro do nosso planeta, ainda mais quando isto pode ser feito sem perder o charme ou abrir mão do conforto, não acham?

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