Ligia Barroso
De Londrina
Material de construção dos mais versáteis que existe, o concreto está evoluindo. Um novo conceito do produto, o concreto de alto desempenho, utilizado para viabilizar construções de edifícios, como o Petrona’s Tower, em Kuala Lumpur, na Malásia, duas torres com 425 m de altura, é tecnologia de ponta concebida no início dos anos 90, que inclui maior durabilidade e resistência.
As propriedades deste novo concreto foram otimizadas por meio de produtos químicos de última geração, aditivos e superplastificantes, além de adições como a sílica ativa e fibras, que permitem a redução da quantidade de água (menor relação água-cimento) e diminui a porosidade do concreto, tornando-o impermeável e menos suscetível a agentes agressivos do meio ambiente. A baixa porosidade evita o aparecimento de fissuras que propiciam a corrosão de armaduras e a durabilidade de uma obra em CAD pode atingir até 250 anos.
O superplastificante, por sua vez, garante a trabalhabilidade do concreto. Já a sílica ativa, adicionada ao cimento, contribui na obtenção de concretos mais impermeáveis, pois age na granulometria do material e, por ser 100 vezes mais fina que o diâmetro dos grãos de cimento, preenche os espaços vazios entre os grãos maiores. Isso torna o concreto mais compacto, garantindo porosidade mínima.
Enquanto nos concretos comuns, a porosidade varia de 25% a 30% do seu volume, no concreto de alto desempenho é de 5%. Ele permite pilares e vigas com dimensões menores, gerando economia de custos, maior espaço útil nos andares, aumento na velocidade de execução da obra, redução do peso das estruturas, da taxa de armaduras e de dimensões das fundações, além de notável aumento da vida útil das edificações.
Do ponto de vista do projeto arquitetônico, proporciona edifícios com vãos livres maiores (necessidade menor número de pilares) resultando em ganho de espaço, principalmente em garagens e subsolos. Em obras como pontes e viadutos também traz inúmeras vantagens inclusive ecológicas como é o caso da segunda pista da Imigrantes, iniciada há dois meses e executada em pavimento de concreto.
O uso do concreto de alto desempenho nesta rodovia, possibilitou a diminuição do número de pilares de 133 para 62, ajudando a reduzir o impacto ambiental na área de preservação da mata atlântica por onde passará o trecho de serra.
Outra das características do CAD são suas altas resistências: o concreto tradicional alcança resistências entre 18 MPa (Megapascal) e 20 MPa, enquanto que o CAD se caracteriza por resistências acima 30 MPa e pode alcançar até 120 MPa ou mais, como a que foi conseguida na construção do edifício Two Union Square, em Seatlle, nos EUA.
O produto começa a ser utilizado no Brasil em obras como a Torre Norte do Centro Empresarial Nações Unidas, com 84 mil m2, é um dos edifícios mais altos do país, com 186 m de altura. Projetado pelo escritório de arquitetura Botti e Rubin ele foi executado em apenas 13 meses (o início das obras foi em maio/98). A resistência do CAD empregado nesta obra variou de 35 MPa a 50 MPa, tornando a construção dos 36 andares economicamente viável.
Outros exemplos de obras no país são o edifício residencial em Salvador (BA), a ponte sobre o Rio Maranhão, em Serra da Mesa (Goiás), o Complexo Industrial e Portuário de Pecém, no Ceará, o Museu de Arte Contemporânea, em Niterói (Rio de Janeiro) e o Complexo Turístico da Costa do Sauípe, em Salvador.
No mundo, além da Petrona’s Towers, se destaca também a Skytower, na Nova Zelândia, a construção mais alta do hemisfério sul, com 328m de altura. Japão e Austrália planejam construir edifícios com quase 1 km de altura. Tudo possível, graças ao concreto de alto desempenho.

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