Drywall ganha espaço na otimização de ambientes
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de fevereiro de 2009
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O sistema de paredes, forros e revestimentos em gesso acartonado cresce em média, entre 20 a 25% ao ano. A estrutura constituída de chapas e armações em aço galvanizado, tem conquistado espaço pela permissão de economia em orçamentos para reformas e construções, além de praticidade no uso e a flexibilidade nos ambientes. O Paraná consome cerca de 1,5 milhão de metros quadrados da produção nacional de 25 milhões de metros quadrados em chapas, sendo que quase a totalidade é utilizada em Curitiba, de acordo com Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas de Drywall.
O Drywall (construção a seco) tem substituido as vedações internas de alvenaria como opção para arquitetos e construtoras. A chapa utilizada é feita de gesso e revestida de papel e, apesar da aparente fragilidade, pode suportar peso. O sistema já é largamente utilizado em rebaixamento de tetos, divisórias, paredes, armários, closets, acabamentos, sancas e nichos. Em média, o custo do metro quadrado de Drywall sai por R$ 60 para paredes, R$ 35 para forros e R$ 40 para revestimentos. Além do material para vedações internas, o consumidor tem a apção do tipo cimentício, para áreas externas.
Para a arquiteta Michele Krauspenhar, a liberdade de criação é a principal vantagem do gesso acartonado. Ela aposta que o gesso é 15% mais barato, mas não tem a resistência do Drywall e nem permite a readequação, modernização e recuperação de ambientes de forma tão prática. ''O dry vai bem em banheiros, por exemplo, onde tem alta concentração de umidade. Não trinca ou embolora, resiste bem a iluminação embutida e suporta spots em tetos rebaixados'', comemora.
Michele conta que utilizou o Drywall recentemente em uma obra de uma empresa de cosméticos, em Curitiba, no forro e nas divisórias entre os ambientes. Em um vão de 150 metros quadrados, as paredes de alvenaria são apenas as estruturais. O espaço livre ganhou repartições preparadas com isolamento acústico, dispostas de acordo com a necessidade do cliente. ''Levamos uma semana para organizar o local. Se fosse alvenaria teria levado uns 20 dias, até terminar o acabamento. Assim que a divisória era instalada, já recebia a pintura. Foi tudo mais rápido'', relembra.
Em comparação com o gesso comum, o sócio-proprietário da Adamus Drywall, Rodrigo Ramalho, explica que no custo são equivalentes, mas com maiores vantagens. ''O Drywall não faz tanta sujeira, a instalação é mais rápida e pode-se aplicar a pintura logo em seguida, ao contrário do gesso que leva quase duas semanas para secar'', afirma. E acrescenta: ''para construtoras representa uma economia de 5% no custo de fundações porque o sistema pesa menos. O metro quadrado do Drywall soma 25 quilos, contra 150 quilos da alvenaria'', calcula.
A empresa de Ramalho fornece serviços especializados de instalação há 20 anos. O pai dele trouxe a ideia para Curitiba dos Estados Unidos, onde o sistema já existe há um século. Na época as chapas eram importadas. Hoje, o Brasil conta com três indústrias, todas de origem europeia nos estados de São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.
Ramalho aposta no crescimento da utilização do Drywall em obras residenciais, já que o produto está consagrado em áreas comerciais. O motivo, segundo ele, é o aperfeiçoamento do material, inclusive a melhora em relação à acústica, e a especialização da mão-de-obra do setor. A Associação de Drywall compartilha da opinião. ''Decoradores e arquitetos estão trazendo para dentro das casas a experiência positiva no meio corporativo, e a divulgação do material cresceu muito'', comenta o presidente da entidade, Gunter Leitner.
A acústica é uma vedete para os defensores do gesso acartonado. As salas de cinema, a partir de 1997, passaram a receber o material para o isolamento do som com o meio externo ou entre elas. ''No início tínhamos algumas deficiências em relação à acústica do material, mas com o tempo aperfeiçoamos essa questão'', explica Ramalho. ''Atualmente, mesmo tendo menor espessura e sendo mais leve, a proteção sonora desse sistema é no mínimo igual, na comparação com uma parede de alvenaria e existe a possibilidade de melhorar a vedação acústica com lã de vidro ou mineral'', acrescenta.
Exemplo disso é a construção de um estúdio dentro do apartamento da DJ curitibana Alê Rauen. O Drywall resolveu o problema de som. ''Para trabalhar em casa com traquilidade eu precisava garantir que não haveria reclamação dos vizinhos'', conta. A vedação foi feita com lã de vidro.


