O clássico é eterno. Esta máxima entre os ‘ditos’ populares provou mais uma vez a sua veracidade também para o mobiliário. O estilo neoclássico está de volta aos móveis, repassado e remodelado no que deverá ficar conhecido como ‘contemporâneo clássico’. Indiferente ao estilo contemporâneo que prega linhas minimalistas e predominância das retas, a borrifada do clássico traz de volta o detalhamento dos móveis e as formas torneadas, ainda que suaves.
‘‘Os excessos continuam proibidos. Os detalhes reaparecem com a função de dar nobreza ao móvel, criando um diferencial’’, afirma a empresária e decoradora Maria Antônia Rebelo. Este novo-velho estilo usa molduras, entalhes e detalhamentos em ferro deixando o móvel mais ‘precioso’. Eles são acrescentados às formas retas do contemporâneo, acrescentando mais consistência e corpo às peças.
Isto não signfica que os móveis ficaram maiores, indo na contramão da necessidade das pessoas. Maria Antônia Rebelo garante que o clássico voltou com proporções compatíveis com os espaços atuais. ‘‘Esta nova tendência é resultado de muita pesquisa de mercado e uma avaliação concreta da realidade do mercado brasileiro.’’, afirma. Empresas como a Masotti, por exemplo, oferecem os móveis de sua linha em vários tamanhos e chegam a adaptar o modelo para o espaço desejado pelo cliente.
É inegável, no entanto que, com os detalhes, o móvel adquire mais imponência e, mesmo com um tamanho físico adequado ele ocupa mais ‘espaço’ visual no ambiente. Característica que persiste mesmo com a liberdade de composição conferida pela base contemporânea proposta por esta nova tendência. Como fica quem tem espaço pequeno e gosta do estilo?
Maria Antônia Rebelo esclarece que não há amarras como antigamente, obrigando o uso do ‘jogo de sala de jantar’ ou ‘de quarto’ – peças do mesmo modelo. O detalhamento suave e no mesmo estilo dá liberdade de composição total. Permite a criação de ambientes mais leves que combinam perfeitamente com o estilo contemporâneo.
A solução para pequenos espaços é, segundo ela, combinar peças mais detalhadas com as de linhas mais simples e lisas. O truque, diz, valoriza as peças e não sobrecarrega o ambiente com um excesso de informações que poderia acabar poluindo a composição. ‘‘A verdade é que o clássico combina com tudo e com qualquer ocasião’’, argumenta.
É bom lembrar que o contemporâneo também tem suas raízes no mesmo período que o neoclássico francês e italiano – 1800. ‘‘Os dois estilos têm a mesma base e, por isto convivem tão bem’’, afirma. A diferença é que referência está na interpretação alemã e britânica do estilo daquela época – mais seco, reto e limpo. A esta referência se somaram o ponto de vista e análise da sociedade contemporânea (modo de vida e necessidades) e conceitos orientais como o minimalismo.
Já o neoclássico italiano e francês, inspiração da nova tendência, é mais suave. Mantém curvas e detalhes mais simples, descartando apenas os excessos. Teve início após a revolução francesa (1789) e se consolidou com a revolução industrial. Para o mobiliário a mudança foi marcada pelo uso do torno – entrada da máquina onde trabalhava apenas o artesão – e simplificação das formas e proporções do estilo Luis XV.

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