Designer não acredita na obsolescência
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 1998
Elisa Marilia Carneiro 
A produção de móveis deve levar em conta os aspectos funcionais, os desejos, o respeito pelo ser humano e pelo meio ambiente, além de ser bonito. Este é o trabalho da designer Bernadete Brandão que, para conseguir o que pode parecer uma proeza, estudou psicologia, antropologia, semiótica e design.
Bernadete está expondo seus produtos na mostra Designers da APD PR II no MAC - Museu de Arte Contemporânea, junto a outros 23 escritórios de design. Estamos tentando elucidar melhor o que é Design e sua linguagem, que é bem mais ampla do que ser apenas belo, disse.
Dentro dos projetos desenvolvidos pela designer, está o Novo Usado, que trabalha os móveis antigos para usos atualizados. Ao atualizar um móvel para uma determinada família, acredito estar também revitalizando os conteúdos que podem ficar para sempre, explica.
Para Bernadete não existe obsolescência. Quando trabalha uma produção ou um móvel individualmente, faz questão de mostrar que o que está sendo trabalhado não é apenas um móvel, mas um produto que tem conteúdos familiares e que podem ser revitalizados, em cada época da vida das pessoas.
Para as indústrias, Bernadete faz projetos de móveis que usam madeiras nobres mas que não eram consideradas. O usuário exige a nobreza do mogno, do marfim, mas existem várias outras, cerca de 20 espécies também da Amazônia, que eram postas de lado e hoje têm permissão para serem exploradas dentro de um sistema de manejo responsável, confere.
Para tanto, Berenice diz que é preciso uma mudança de mentalidade das indústrias e do consumidor. Na verdade, segundo ela, é uma batalha. Não é fácil convencer a indústria a mudar de madeira e apresentar ao usuário materiais mais éticos. Para tudo isso o trabalho do designer é fundamental. É aquele profissional que pensou em tudo isso para cada produto e ainda obriga o consumidor a fazer um questionamento de suas necessidades, argumenta.


