Alumínio, design, arrojo e utilidade. Nada de realmente novo, afinal o alumínio é, hoje, o material mais usado e moldado. Caiu no gosto dos consumidores e está nas mãos da maioria dos designers. Mas nem todos são iguais. Há sempre quem faz diferente, quem consegue marcar um estilo próprio. E ninguém trabalha o alumínio como Ana Giacomini, artista plástica e artesã paulista de nascimento, mas catarinense de coração.

Absolutamente ambígua, seu trabalho aparece dividido entre a retórica da poesia, a busca do estado ''zen'' e o capitalismo que transforma tudo em ''relis metal''. Ela oscila entre peças que traduzem o visual da arte pela arte, onde a beleza chama mais que utilidade e peças sólidas de utilidade.

Há um equilíbrio inusitado. Deixa para tecer poesia com os fios de alumínio, material pelo qual se apaixonou antes de mesmo de pensar em se tornar empresária do design. Característica que conquistou o respeito de empresas já consolidadas no mercado da decoração ''incomum''. Entre elas, Ana Giacomini assina várias peças Imaginarium.

Desde que descobriu seu dom e resolveu assumir a profissão, há quatro anos, já somou cerca de 200 peças à sua pasta de criações disponíveis no mercado a maioria pela sua empresa, a Analumínio.

Se a escolha do alumínio foi por paixão, a opção pelo material reciclado foi ditada pela necessidade de uma proposta ecologicamente correta. O interessante é que, no caso de Ana Giacomini, o mercado funcionou como incentivo ao impor a ela o único recurso de usar as fundições de ''fundo de quintal''.

Como a produção de sua empresa não é substancial para as fundições médias e grandes, ela teve de recorrer às pequenas. E a maioria delas trabalha com alumínio reciclado de latinhas. ''É uma regra. Nós só trabalhamos com aquelas que oferecem alumínio reciclado'', frisa.

Moto contínuo, eterno pensar, enrolar e desenrolar idéias inconsciente até que a idéia simplesmente ''acende'' na sua cabeça. Todas as peças nascem assim, meio ''de repente''. O protótipo ela mesma faz questão de fazer para não deixar dúvidas sobre o que deseja. Só depois a equipe de desenvolvimento assume para viabilizar a produção em série da peça.

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