Design dá identidade aos ambientes
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de janeiro de 1999
Simone Mattos 
Design não é status. Com esta afirmação, a designer Bernadete Brandão resume o seu ponto de vista sobre o assunto. Ela defende a idéia de que todas as classes sociais podem ter peças arrojadas, com conteúdo e bem desenhadas. O design faz com que os espaços tenham identidade com os donos da casa, explica.
Ela critica os conceitos colocados de forma equivocada pelo mercado, que muitas vezes classifica como design peças que são simplesmente bonitas ou caras. Design é um processo que une antropologia, história da arte, psicologia, filosofia e história dos móveis, esclarece.
Bernadete conta, por exemplo, que fez um estudo recente para desenvolver um novo conceito de cama. Eu busquei informações desde como o homem dormia na época das cavernas. O estudo fez com que ela chegasse aos significados de cama como território, espaço erótico e de colo, o que interferiu na ergometria do móvel e no espaço de utilização do quarto.
Na opinião da designer, as formas clássicas deixam os ambientes muito tradicionais, o que torna mais difícil a personalização. Uma das propostas dela é reutilizar os móveis antigos, dando cara nova e um toque pessoal. Tudo o que temos em casa tem um valor para nós, justifica. Por isso, ela desenvolveu o projeto Novo Usado, onde preserva os valores da época original do móvel, atualizando-o.
Há 40 anos no Brasil, o design só se tornou acessível há menos de seis. Um dos grandes nomes dentro do País é o belga naturalizado brasileiro, Michel Arnould. Ele trabalha muito com madeiras brasileiras e é muito copiado, conta Bernadete. Um dos grandes nomes mundiais do design é o do francês Phillipe Stark.
Bernadete comenta que o fato de uma peça ser reciclada ou receber pátina não significa que ela tenha design. Inovar trabalhando com um processo que compreende antropologia e tradição é design, explica.
O processo inverso acontece em lojas como a Tok & Stok e Imaginarium, que oferecem peças prontas, muitas delas com design. Neste caso, é o cliente que busca o objeto ou móvel que tem significação com o seu espaço.
Ela explica que, embora muitas peças comercializadas nestes locais sejam copiadas do exterior, outros objetos pessoais apresentam um conceito forte. Há ótimos designers por trás destas lojas. São eles que seguram a qualidade das peças.
A função do designer é apresentar um mix de produtos que questione o usuário quanto o seu estilo próprio, tendência ou tradições. Bernadete garante que suas peças, por exemplo, são acessíveis às classes A, B ou C. O que muda é apenas a linguagem, o material utilizado e a contextualização.
Sua recente criação, a linha Holis, que reúne 18 itens, foi feita para a classe média. Através dela, é questionada a composição de armários, estantes e racks. A tônica é a imparcialidade, permitindo que o cliente possa ter liberdade e criatividade. A linha Holis pode ser encontrada em lojas como a Inove Store, Ronconi e Vila Bela.
Outra crítica dela é sobre a engenharia atual, que acabaria levando o design a uma simplificação extrema. Bernadete reclama dos espaços racionais, que priorizam apenas a questão econômica, esquecendo o psicológico e social das famílias. Os espaços muito pequenos geram uma problemática que o designer tem que resolver.


