As restrições econômicas e a cultura do brasileiro são apontadas pelas seguradoras como as responsáveis pelo desinteresse das construtoras na aquisição do produto. A construção civil encontra no mercado uma variedade deles. No entanto, a aquisição não é obrigatória. ''A vantagem é valorização do investimento na medida que cobrem uma série de riscos'', disse o economista Roberto Melquiades, diretor do Sinduscon/Norte e representante na Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Devido à importância do seguro e o preço elevado, a CBIC criou um núcleo que, desde o ano passado, disponibiliza aos associados uma cesta de produtos com características atrativas. A idéia é capilarizar o serviço com a indicação de corretores locais pelos próprios segurados. Como qualquer outro seguro, o objetivo é evitar despesas inesperadas e proteger o patrimônio dos clientes durante a validade do contrato.
Segundo Melquiades, todas as seguradoras e construtoras em atividade no País possuem um cadastro no Instituto de Reseguros do Brasil (IRB). Trata-se de um órgão oficial incumbido de regulamentar e fiscalizar a ação dessas empresas. Antes da seguradora vender determinado produto a seu cliente é necessário uma autorização do IRB que avaliará suas condições financeiras e legais de cumprir o contrato. Cada seguro exigirá um lastro (capital) diferente do fornecedor conforme o risco envolvido. ''Aquele relacionado ao término da obra garante ao comprador a entrega do imóvel ou devolução do dinheiro aplicado caso a construtora não consiga fazê-lo'', exemplificou o economista.
Para José Alves, encarregado do Departamento Pessoal da Quadra Construtora, de Londrina, o custo do seguro é pequeno comparado à despesa total de uma obra. Hoje em dia, é possível adquirir seguros que cobrem desde possíveis erros de cálculo do projeto até a entrega das chaves ao comprador. ''Normalmente, fazemos uma apólice única, com excessão dos carros que são bens móveis e possuem seguros próprios'', disse.
Conforme Marcelo Henrique Silva, diretor da Londrina Holding Corretora de Seguros, e Marcos Antonio Alves, proprietário da Preview Corretora de Seguros, o brasileiro ainda considera nosso produto um supérfluo e prefere correr o risco dos imprevistos a investir em segurança. ''As grandes construtoras são mais receptivas à idéia devido ao nível de desenvolvimento econômico e cultural'', disseram. Em comparação aos Países de Primeiro Mundo, o mercado de seguros no Brasil é muito pequeno. ''Apesar do índice de violência e insegurança no trânsito, apenas 40% da nossa frota de veículos é segurada. Nos EUA, por exemplo, chega a 95%'', acrescentou Silva que vislumbra possibilidade de expansão no seguro de previdência privada nos próximos anos.

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