Célia Baroni
De Londrina
ESCADA - série de degraus por onde se sobe ou desce. A definição encontrada no dicionário dá um ar de simplicidade à escada. Afinal, quem não sabe o que é uma escada? O que pouca gente sabe é que o assunto é uma ciência, estudo que mereceu e merece a atenção até hoje de arquitetos e engenheiros. Em casa ou prédio residencial ou comercial, sua construção exige cálculos precisos, um projeto adequado às necessidades de quem vai usar e uma execução de qualidade.
Nas últimas décadas, as escadas vêm assumindo uma importância significativa nos projetos de residências, principalmente em locais onde o custo do terreno é elevado e a opção para o melhor aproveitamento da área é o sobrado, como e em São Paulo. Lá, projetos de casas populares adotaram o sobrado como alternativa e estudos prepararam os mutirões para fazer escadas em esquema de pré-fabricação para diminuir o custo da habitação.
O arquiteto Gilson Jacob Bergoc explica que, inicialmente havia só dois tipos de escadas; as de madeira e as de pedra. O efeito era normalmente pesado e não permitia muitas variações. A evolução dos materiais de construção deu liberdade para a criação de escadas mais leves, com formas diferentes possibilitando aliar a beleza e funcionalidade. Elas aparecem retas, em caracol, suspensas ou angulosas. ‘‘Praticamente não há mais limites para idealização de escadas, que se tornaram, em muitos projetos verdadeiras obras de arte’’, argumenta.
Mas as especificações, os cálculos construtivos são os mesmos.‘‘A construção de escada é uma ciência que vem sendo estudada há muito tempo e que tem como principais metas conseguir que o desnível possa ser vencido com o menor esforço possível, segurança e conforto’’, resume o arquiteto.
Para elaborar o projeto, diz, é preciso levar em consideração como a escada será usada, quais os ambientes que vai ligar e o perfil dos moradores (faixa etária e hábitos). Bergoc explica a base dos cálculos e fórmulas respeitam a ‘‘passada’’ do ser humano, por ele representar a forma mais cômoda encontrada pelo indivíduo para se locomover sem fazer esforço.
Dividir a altura a ser vencida pelo tamanho de degraus para saber quantos degraus serão necessários. Esta maneira simplista de calcular pode resolver o problema para transpor a separação de níveis. Mas pode acabar criando mais problemas ainda. Bergoc cita como exemplo de problema simples com escadas, a escolha inadequada do local. Diz que, no lugar errado, ela prejudica o fluxo pelo ambiente e cria corredores muito longos. ‘‘A sensação de quem vive no local é de que existe alguma coisa atrapalhando no ambiente’’, comenta.
As consequências de uma escada mal projetada ou mal executada podem ser muito mais sérias, colocando em risco a saúde e qualidade de vida dos moradores. Diferenças de tamanho entre os degraus ou tamanhos irregulares podem levar a pessoa a tropeçar e até a cair. Escadas muito íngrimes (com uma inclinação maior de 45 graus também são perigosas, um convite ao tombo. Degraus altos ou baixos demais imprimem um ritmo cansativo. Quando eles são muito estreitos são inseguros, não dão equilíbrio. Quando são muito largos levam a uma abertura de perna maior, tornando a subida mais lenta e cansativa.Retas, em caracol, suspensas ou angulosas, as escadas se tornaram - em muitos projetos - verdadeiras obras de arte
Fotos: Dorico da SilvaBela aparênciaA escada externa dá à casa térrea a aparência de sobrado. Projetada para vencer a inclinação do terreno, a escada ganhou charme com um corrimão em metal trabalhado, fazendo parceria com as grades da janela da salaNeste projeto, a escada serve também para dividir o ambienteFotos: Dorico da SilvaEscada projetada pela arquiteta Elizete Saldanha Borsato: elemento enriquece o ambienteProjetada para ocupar o menor espaço possível, a escada colocada ao lado da porta de entrada forma um vão que abriga um lavabo social que se abre para a sala e, do outro lado, o banheiro do quarto de empregada

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