São Paulo - O Brasil comemora recordes de aplicação de recursos no crédito imobiliário - da ordem de R$ 20,3 bilhões, em 2006 -, mas o investimento ainda é insuficiente para provocar uma redução significativa do déficit habitacional no País, da ordem de 7,9 milhões de moradias. Este é o diagnóstico do estudo ''O crédito imobiliário no Brasil'', elaborado pela FGV Projetos, consultoria da Fundação Getúlio Vargas.
''O sistema é capaz de financiar apenas um terço da demanda por novas unidades. Mesmo a todo vapor, ele ainda está muito aquém das necessidades'', afirma Fernando Garcia, coordenador do projeto. Para que o setor imobiliário receba mais investimentos e, assim, contribua para alavancar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro - como deseja o governo federal - será necessário que se atualize o modelo do crédito oferecido, alerta o estudioso.
Uma das sugestões é ampliar as fontes de recursos para o financiamento habitacional. Hoje, elas estão concentradas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e carteiras hipotecárias dos bancos. ''Há interesse do capital externo e da iniciativa privada. Outro instrumento é a securitização de títulos'', afirma.
Mas como lembrou Décio Tenerello, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Empréstimo (Abecip), durante debate de apresentação do projeto, um dos maiores entraves para o desenvolvimento do crédito imobiliário e crescimento do País é a renda. Ele sugere que o modelo brasileiro pode adotar um critério para liberação do crédito que leve em conta a capacidade de pagamento do tomador de crédito e não a sua renda.
Para ele, é necessário ainda que se facilite a tomada do crédito para a baixa renda, hoje muito burocratizada. ''No Brasil se demora de 60 a 90 dias para obter concessão de crédito, sendo que no México isso já é pré-aprovado.'' Segundo ele, isso foi possível por meio da padronização da documentação e dos produtos oferecidos à população.

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