Decoração valoriza a qualidade de vida
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de maio de 2001
Magda Carvalho Enviada a Cascavel 
A Mostra Bordeaux Cascavel é a versão paranaense da mostra editada em Santa Catarina, nas cidades de Joinville e Florianópolis. Nessa primeira edição no Estado, os 27 profissionais que participaram do evento se ocuparam em mostrar as tendências nas áreas de arquitetura, decoração, design e paisagismo. Mas mantiveram também outra preocupação: mostrar que tudo isso pode e deve estar associado à qualidade de vida. Nem que para isso fosse preciso mudar o conceito de determinados ambientes.
Foi o caso da arquiteta Alessandra Teribele que assinou o projeto da circulação dos quartos e de um dos lavabos. O ponto de partida para trabalhar a circulação dos quartos foi mudar o conceito que de que o espaço serve apenas como passagem, dando a ele um novo uso. O ambiente foi transformado num espaço de reflexão.
Para diminuir a sensação de um ambiente infinito, tornando-o mais agradável, Alessandra trabalhou a iluminação e as cores. Na iluminação em diagonal e em linha reta aliada ao uso da pintura branca texturizada para manter o perfil rústico, ela reforça essa sensação de bem estar e de um espaço mais amplo. Na busca por um ambiente que se tornasse um espaço para reflexão a arquiteta optou por unir elementos rústicos e modernos, sem carrega-los.
No porcelanato bem liso estão pedras e uma pequena vegetação. Na parede estão obras em óleo sobre tela dos artistas plásticos Miriam Lucia Ambrosino e Marina Santos. Nas obras a opção foi por cores e composições abstratas vibrantes provocando o contraste com o branco.
Para as duas poltronas na cor marrom, localizadas no centro do corredor, a escolha foi por um tecido que não fosse emborrachado para que ele não fizesse contraste com o pé de inox, mas mantivesse o contraponto entre o moderno e o rústico. A arquiteta valorizou os tons da terra, evidenciados na esculturas da artista Maria Sherlowisk.
No lavabo a arquiteta quis manter a leveza do ambiente sem abrir mão de uma visão contemporânea. Optou pela pastilha por ser um elemento mais delicado. Os móveis em tom castanho e em linhas retas e uma persiana na cor caramelo. A iluminação difusa dá a sensação de aconchego que o ambiente precisa.
A preocupação foi unir estética e funcionalidade. A papeleira, disposta em dois nichos, manteve sua função e acabou virando um objeto estético. Alessandra criou dois nichos de diferentes tamanhos e utilizou o espaço para colocar outros objetos de decoração como um vaso de sal grosso e pequenos quadros.
Dar ao ambiente uma outra função também foi a tarefa da arquiteta Cássia Ricardo, na sala de almoço integrada à área externa. A sala de almoço, por ser um ambiente mais informal do que a sala de jantar, mereceu um tratamento diferenciado. Para tornar o ambiente leve, mas não monótono, ela trabalhou materiais e cores.
A escolha pela cor branca nas paredes e nos móveis foi o princípio. A mesa de inox com cadeiras estofadas em vermelho, além da imbuia como elemento de destaque utilizada num painel, dão o equilíbrio desejado. A escolha do tecido foi pelo chinile, que está voltando pela textura e facilidade de limpeza, uma textura bonita e aspecto de tecido nobre.
No ambiente, por ser de uso diário, a arquiteta preferiu trabalhar também com linhas retas, menos cansativas do que as curvas. A tinta acrílica fosca foi utilizada não só pela durabilidade mas também por não haver necessidade de brilho extra no ambiente, já que iluminação foi trabalhada para destacar alguns elementos da sala.
Para fazer a ligação com o ambiente externo, Cássia criou um spa na área ociosa ao lado da lavandeira. A ligação visual foi feita com vidro, criando um hall que dá acesso ao spa. O piso de cerâmica em contraste com o piso de madeira traz a sensação de quente e frio.
Nas espreguiçadeiras e colchonetes do spa foram utilizados materiais mais resistentes como a itaúba e o corvin marítimo. O branco que predomina na sala é destaque também no spa, uma ampla vegetação quebra a monotonia. O piso é retificado, tão bom quanto o de mármore, com a vantagem de não dar diferença no rejunte. Na banheira do spa, uma hidromassagem para seis pessoas completa a proposta de aproveitar melhor o tempo que sobra do almoço.
Aconchego e intimidade sem tirar a individualidade. Essa foi a proposta dos arquitetos Mario Costenaro e Fabíola Tonin ao criar o projeto do quarto do casal. Como ponto de partida os arquitetos imaginaram um ambiente que desse a sensação de reecontro, principalmente em função da correria do dia a dia. Por isso não trabalharam com elementos muito frios e optaram por materiais naturais, que fizessem contraponto com o ritmo acelerado.
Para a preservar a intimidade do casal, os arquitetos setorizaram o ambiente. Divisórias de vidro jateado e uma placa de madeira vengue dão os contornos do ambiente de 30 metros quadrados. As texturas naturais criaram um clima acolhedor e mantiveram a ligação com a natureza. Materiais alternativos como palhas, pedras e até água, utlizada no espaço onde há um divã e uma cascata de fundo, também reforçaram esse conceito.
Apesar da setorização, o ambiente manteve sua integração por meio do forro com forma sinuosa e do carpete ladeado por cerâmica. Nos forros de gesso o projeto explorou a plasticidade. Nos tecidos utlizados na colcha, na cortina e no divã estão os tons naturais em contraste com o verde musgo das paredes.
O closet com madeira escura mostra uma tendência de usar tons mais escuros nos móveis. Para que o ambiente não ficasse carregado, Mario Costenaro e Fabiola Toni optaram pelo marfim alvejado utilizado no painel das paredes. Detalhes em vidro jateado fizeram a diferença dando aos móveis transparência e leveza. A iluminação valoriza o forro, mas é leve, singela valorizando sempre a busca pela harmonia.


