''A cidade é um ser vivo, sujeito ao desgaste natural e ao progresso. É impossível conservar tudo sob pena de engessar o desenvolvimento'', disse José La Pastina Filho, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Paraná, sobre a possibilidade de tombamento de alguns prédios em Londrina. Segundo ele, os imóveis são construídos para atender as necessidades dos homens como, por exemplo, os aeroportos, restaurantes, hotéis e estabecimentos comerciais. ''A partir do momento que sua existência perde o sentido por obsolência, a solução é reciclar com outra finalidade ou demolir'', opinou.
Conforme La Pastina, determinados bens (materiais ou imateriais) detêm importância local, estadual, nacional e até mundial. Mas, a preservação histórica, é uma escolha da comunidade que avaliará o 'peso' daquela construção ou manifestação cultural na sua trajetória. Baseado em análises técnicas, o governo federal criou uma lei, em agosto de 2000, que instituiu o Samba de Roda, do recôncavo baiano; a oficina das paneleiras, do Espírito Santo e a pintura corporal indígena, da região Norte, como patrimônios históricos nacionais. A cada década, as justificativas dessa honraria para bens de natureza imaterial são reavaliadas e em determinados casos podem alterar a lista.
A reportagem da Folha levou o assunto a três imobiliaristas de Londrina que apresentaram opiniões divergentes. Para Raul Fulgêncio, nenhum dos hotéis desativados, por exemplo, possui características que façam jus à conservação arquitetônica como aconteceu com as residências de Celso Garcia (atual Banco Sudameris) e Otávio Pedriali (atual Itaú Personalité). ''Esses estabelecimentos perderam espaço para a concorrência e a retomada das atividades ou novo uso exigirá uma reforma muito cara'', esclareceu.
Já o imobiliarista Abílio Medeiros acredita que esses antigos hotéis valem somente pelo terreno e localização. ''A demolição exigiria investimentos dispensáveis porque o centro de Londrina ainda possui vários terrenos livres. Enquanto essa situação perdurar e houver outras áreas de interesse, como a Zona Sul, acho que esses prédios ou aquilo que sobrou deles continuará em pé'', disse. Em oposição, José Carlos Delalibera acredita que alguns imóveis poderiam ser reciclados e mudar a 'cara' do comércio. ''Aos 71 anos, Londrina já pode pensar em preservação histórica em benefício da memória e opção de renda'', sugeriu. (B.R.)

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