Curso orienta sobre gestão de riscos
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de dezembro de 2005
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) registrou uma média de 16 mil casos anuais de acidentes incapacitantes permanentes (perda de membros e lesão na coluna, por exemplo), no Brasil, entre 1996 e 2000. Nesse mesmo período, cerca de 3,5 mil pessoas morreram/ano em acidentes de trabalho. Em ambas situações, a construção civil lidera a lista de atividades mais perigosas, seguida pela indústria e depois o comércio.
Uma fratura, um curto-circuito e até um óbito podem acontecer em qualquer lugar a qualquer hora. A ''Gestão Total de Riscos Ambientais, de Trabalho e Incêndio'' é o tema do curso que o engenheiro químico Luiz Fernando Joly Assumpção ministra nos Estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul desde 2001. A expectativa é que o Conselho de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL) organize uma turma de alunos para abril do próximo ano.
O programa é dividido em duas fases: a Análise Preliminar de Risco (APR) e o Super Safety Accidents Management Procedure 8D. A primeira, consiste na identificação dos riscos de acidentes ambientais, de trabalho e incêndios, o estabelecimento crítico de cada um, a elaboração de um plano de ações preventivas e emergenciais. ''Este último é um problema em nosso País. As catástrofes felizmente não fazem parte da nossa rotina como em outros lugares do mundo (terremotos, avalanches, erupções vulcânicas, furacões, etc) e, por isso, os brasileiros descuidam da prevenção. O resultado é o desespero num momento de extrema necessidade'', frisou o engenheiro.
A segunda ferramenta deste programa é utilizada após a ocorrência do acidente. A metodologia é identificar a causa determinante, os fatores que contribuiram para o fato e o gerenciamento total dele. Ações que não eliminam a causa mantêm a potencialidade do risco e geram ainda outros. ''Na prática, isso significa um estudo mais técnico e objetivo sobre o ocorrido para evitar a reincidência. Em países do Primeiro Mundo isso é comum. No Brasil, poucas grandes empresas preocupam-se com isso'', completou Assumpção, que acumula especializações na área de segurança do trabalho, mestrado na área de materiais, é professor universitário e doutorando no gerenciamento de riscos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
O curso é indicado, basicamente, para engenheiros e técnicos de segurança e proteção ambiental, advogados, biólogos e membros de Comissões Internas para Prevenção de Acidentes (Cipas). O treinamento é composto por 20 horas/aula, com direito a certificado. ''As empresas costumam enviar um ou mais funcionários que servem como disseminadores das informações. Mas, nossa maior dificuldade ainda é mudar a cultura do nosso povo que privilegia o imediatismo, o lucro fácil e menos trabalhoso'', opinou Assumpção.
Segundo o criador do Programa, as mudanças acontecem no primeiro semestre de implantação das ações tanto para micros, pequenas, médias ou grandes empresas. ''O investimento será recompensado com a economia futura'', finalizou o engenheiro.
Serviço
Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas pelo telefone: (41) 3252-9968 (41) ou pelo e-mail: [email protected].


