Tarefa que exige mais habilidade do que força, assentar azulejo pode passar a ser (também) tarefa de mulher em canteiros de obra. Apesar da participação feminina na construção civil ainda ser pequena (apenas 2,5% do total de empregados segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, e essencialmente nas atividades de engenharia, arquitetura e administrativa), as mulheres estão se habilitando especialmente para tarefas que exigem menos força e mais cuidado. E o Paraná é exemplo pioneiro no Sul do País, na iniciativa para criar novos nichos de mercado (e vagas) neste setor.
O primeiro curso para que jovens mulheres se tornem profissionais assentadoras de azulejo foi realizado em Curitiba, no final do mês passado, por iniciativa da Cimento Rio Branco (Votoran), em parceria com o Senai, a Acomac e o Depósito de Material de Construção Nichele. O apoio, com o público-alvo, veio do Centro de Convivência Menina Mulher (CCMM) – organização não-governamental que atende 41 jovens, com idade entre 12 e 18 anos, procurando inserí-las no mercado de trabalho.
Desempenadeira, régua de alumínio, colher de massa, prumo e nível foram as ferramentas usadas pelas alunas, durante as 60 horas de aulas práticas (ministradas durante duas semanas), coordenadas e supervisionadas pelo o engenheiro da CRB, Roberto Chun Pan.
Apesar da timidez inicial, as alunas mostraram satisfação com a oportunidade. Para S.S.P., 17 anos, ‘‘o curso é muito interessante porque ensina uma profissão’’, enquanto a colega D.M.D., de 16 anos, considera o aprendizado importante para o futuro e nem se preocupa com o fato da profissão ser dominada por homens. ‘‘Quando quero alguma coisa, eu me esforço e consigo, por isso não tenho medo’’, completa.
A coordenadora do CCMM, Railda Borges, destaca que a formação profissional é uma das principais metas das jovens: ‘‘Elas esperam ter uma profissão para melhorar a sua situação. Cursos como este aumentam as chances delas conseguirem um emprego’’.
A assistente técnica da Célula de Geração de Mercados da CRB, engenheira Christiane Mainardes, vê a iniciativa como ‘‘a oportunidade para estas meninas aprenderem uma profissão que tem um bom futuro no mercado. A mulher é mais detalhista, o que constitui um diferencial muito importante’’. Opinião compartilhada pelo diretor executivo da Acomac, Júlio João Pereira, para quem ‘‘os revendedores de material de construção muitas vezes não conhecem profissionais bem preparados para recomendar a seus clientes. Formar mão de obra qualificada nesta área é fundamental. É por isto que estamos presentes neste projeto’’.
A formação de profissionais especializados, além de melhorar a qualidade dos serviços, também diminui o desperdício na construção civil. O coordenador do Senai de Rio Branco do Sul, Laertes Vieira, se baseia em cursos semelhantes, realizados em São Paulo e Minas Gerais, para afirmar: ‘‘Na fase de acabamento é que mais ocorre desperdício; depois dos cursos se conseguiu uma redução de até 40% na perda de material’’.
O sucesso da iniciativa da Cimentos Rio Branco foi tão grande que outras duas turmas já estão montadas e, as 15 alunas de cada uma delas, devem iniciar o curso ainda neste mês de dezembro. ‘‘Dependendo da receptividade de outras entidades que realizam atendimento a adolecentes e jovens mulheres, a empresa ampliará o programa, realizando o curso de azulejista também em outras cidades do Paranᒒ, comenta a engenheira que também coordenou a apresentação das profissionais formadas na primeira turma, ao mercado de trabalho.
‘‘Junto com a Acomac, levamos as novas azulejistas para visitar diversas lojas e revendas de material de construção instaladas em Curitiba, para que tivessem o primeiro contato com o mercado, como prestadoras de serviços, e qualificadas, para o setor.’’
Mais informações sobre os cursos na Coordenadoria de Marketing da CRB, tel. 41/355-1000.

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