Curitiba valoriza bairros residenciais
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de agosto de 2001
Maigue Gueths<BR>De Curitiba 
Desde o início do ano, construtoras de Curitiba estão à procura de terrenos em áreas residenciais pouco valorizadas até pouco tempo atrás. A preocupação é adequar-se à nova lei de zoneamento, aprovada em março do ano passado. A legislação estabelece que a partir de abril de 2002 as edificações terão que respeitar um espaço maior entre elas, de modo a privilegiar aspectos de ensolação e qualidade de vida dos moradores. Com isso, bairros tipicamente residenciais, como Campina do Siqueira, Seminário, Boa Vista e Jardim Botânico destacam-se como áreas com grande potencial de expansão nos próximos anos.
Como a procura por terrenos já aumentou, os preços nestes bairros também já tiveram um acréscimo, disse o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Erlon Rotta Ribeiro, lembrando que a lei de zoneamento deu um prazo até abril para que as construtoras que tivessem projetos em andamento ainda construíssem conforme as regras antigas. Daí para frente, uma das exigências é o afastamento mínimo entre os edifícios de 10% da metragem total da unidade tipo/padrão do projeto em comercialização.
O antigo bairro Capanema, batizado de Jardim Botânico em 1992, depois que um plebiscito entre os moradores optou pela mudança de nome, é uma das áreas onde as construções vêm aumentando consideravelmente nos últimos anos. O Jardim Botânico não vai virar um Champagnat. O bairro está em expansão, mas há um crescimento ordenado, diz o gerente de projetos da Moro Construções Civis Sergio Silka, que acredita que, além das garantias da lei de zoneamento, o bairro tem outros atrativos, como a vida de bairro pacata e tranquila, mas com a vantagem de estar próxima do centro. Outra vantagem apontada é a infra-estrutura do bairro, que tem hospital, supermercados, escolas e comércio perto.
Desde o ano passado, a Moro vem construindo no bairro, com resultados bastante compensadores. No final de 2000, entregou um prédio com 24 apartamentos de 220 m2, ao preço de R$ 185 mil o apartamento, inteiramente vendido. Neste semestre entrega outros 56 apartamentos de 155 m2 a R$ 153 mil cada também já comercializados. E até o final do ano, finaliza mais um empreendimento, com 84 apartamentos de 182 m2 a R$ 170 mil, que já está praticamente todo vendido.
A empresa já iniciou outro grande empreendimento: o Portal do Botânico, com 250 m2, quatro dormitórios e home office, três vagas de garagem e preços de R$ 251 mil. A principal atração do prédio é a vista para a Serra do Mar. A opção da Moro por este tipo de apartamento foi tomada depois que a empresa fez uma pesquisa, constatando que o perfil do morador da região é classe média alta.
Isto não significa que o Jardim Botânico não seja alvo de construções mais modestas. O diretor de produção da Morada Real Construtora e Incorporações, Luiz Renato Silva acredita que o local é mais propício para apartamentos de três dormitórios, com valor entre R$ 100 a R$ 120 mil. A empresa tem um prédio pronto, de 32 apartamentos de 190 m2 e preço de R$ 150 mil. Destes, 20 ainda estão à venda. A procura está sendo maior para o novo empreendimento da empresa, o Edifício Tom Jobim, com 68 apartamentos de 119 m2, de dois ou três quartos e preço de R$ 90 mil. Em dois meses vendemos dez unidades, comemora Silva.
A Construtora Lusa Ltda. começou a atuar na região, investindo em outro segmento. Seu primeiro prédio, com 52 unidades de 50 m2 e apenas um dormitório, visava principalmente os estudantes das universidades próximas. Deu certo. Dos 52 apartamentos, 40 foram comprados por solteitos, diz o assessor da diretoria Luiz Alberto Soares. Apesar da venda fácil, a empresa também decidiu apostar na classe média. Acaba de construir um prédio com 32 apartamentos entre 156 m2 e 183 m2 e preço variando entre R$ 113 mil e R$ 125 mil. Desde o início do ano vendemos 40% das unidades, diz Soares.
A Thá Construtora, uma das maiores de Curitiba, não tem planos de investir no bairro. O bairro é bom, mas os empreendimentos que já fizemos lá não foram um sucesso de vendas, diz o coordenador de marketing, Fernando Antonio Thá. A construtora considerou além da média o tempo que demorou para comercialização total de três edifícios.
Gosto do bairro. É sossegado e tem bastante árvores, diz a representante comercial Ana Maria Ferreira. Paulista, ela mudou para Curitiba há seis anos. Demorou para achar o lugar ideal para morar, mas acabou optando pelo Jardim Botânico. Na época aluguei uma casa aqui. Agora estou mudando de novo e vou continuar no bairro. Entre as vantagens apontadas por Ana Maria estão o acesso rápido e fácil ao centro da cidade e a comodidade de ter tudo perto.


