Arquivo FolhaOs preços de imóveis residenciais ou comerciais permanecem estáveis. Aumento da oferta acontece em várias regiões do PaísA Cidade de Curitiba nunca teve tantas placas de ‘‘Aluga-se’’ espalhadas como atualmente. Segundo levantamento da Associação Paranaense das Administradoras de Imóveis (Apadi), existem 6.700 imóveis disponíveis para locação - número recorde catalogado pelo órgão. A oferta cresceu 22% desde setembro do ano passado. Apesar disso, o valor dos aluguéis permanece estável. A estatística da Apadi é feita a partir de anúncios nos cadernos imobiliários de jornais.
O fenômeno de aumento da oferta de imóveis para locação, que não é isolado (repete-se em outras capitais do País), pode ser explicado pela dificuldade financeira dos candidatos a inquilinos. ‘‘Na mesma medida em que poucas pessoas conseguem alugar por falta de dinheiro, muitas deixam os imóveis alugados para morar com familiares, sair da cidade ou comprar um imóvel próprio’’, explica o diretor de estatística da Apadi, Paulo César Fraresso.
Segundo ele, a estabilização econômica também trouxe de volta ao mercado de locação um grande número de unidades. No início do Plano Real, em julho de 94, a oferta de imóveis para locação em Curitiba era de 1.800 unidades. ‘‘Antes, com as altas taxas de inflação e a correção semestral dos valores dos aluguéis, era mais vantajoso ao proprietário deixar o imóvel fechado. Hoje, a locação passou a ser um bom investimento com as limitações do mercado financeiro.’
Do total de imóveis vagos à espera de um inquilino em Curitiba, 4.200 são destinados a fins residenciais (apartamentos, casas, sobrados). Os outros 2.500 são lojas, conjuntos e barracões para utilização comercial.
A média mensal de imóveis locados alcança apenas 26% do total, mas a cada mês entram novas ofertas no mercado.
Apesar da grande oferta e pouca procura, os preços permanecem estáveis. O valor médio por metro quadrado para um apartamento de três dormitórios é de R$ 3,96; para um barracão comercial R$ 2,93; e, para uma loja R$ 7,91. ‘‘A tendência é manter a estabilidade e até de queda nos preços. Os proprietários têm que se ajustar à realidade’’, diz Paulo Fraresso. Segundo ele, durante o ano passado houve uma queda de 30% no valor dos aluguéis.
Para atrair os inquilinos, as imobiliárias apresentam uma grande variedade de ofertas e são mais flexíveis no momento da negociação. A maior concentração de ofertas está na região central da cidade (23% do total). Nos bairros, há mais imóveis para locação no Água Verde, Boqueirão, Portão e Capão Raso.
Nos imóveis já locados, a inadimplência (atraso no pagamento do aluguel) continua incomodando os proprietários. Segundo dados da Apadi, 10% dos inquilinos estão com os pagamentos atrasados em pelo menos um mês. ‘‘O índice é muito alto se comparado a períodos anteriores. Há quatro anos, o número de inadimplentes girava em torno de 4%’, observa o diretor de estatística da Apadi.
NovosAssim como a oferta de imóveis para aluguel, a construção de novos imóveis também vem crescendo em Curitiba. Segundo pesquisa da Volpi Júnior Engenharia, de janeiro a julho foram construídos 636.735 metros quadrados, 34% a mais que no mesmo período do ano passado. Em 1997, o setor deve registrar o melhor desempenho dos últimos seis anos.
A previsão é de que a produção imobiliária neste ano deverá atingir um desempenho superior ao da média histórica da década de 80 - entre 900 mil a um milhão de metros quadrados construídos. A pesquisa é feita com informações fornecidas pela prefeitura sobre os certificados de vistorias de conclusão de obras.
O Custo Unitário Básico (CUB) foi reajustado em 1,54% no mês de setembro, segundo pesquisa do Sindicato da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR). O aumento foi superior à inflação medida pelo IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, que ficou em 0,48%. Com o reajuste, o custo da construção habitacional, em material e mão-de-obra, ficou em R$ 412,31 o metro quadrado. No ano, a variação acumulada do CUB é de 7,11%.

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