Cultura e decoração podem caminhar juntas
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de agosto de 2001
Célia Baroni<BR>De Londrina 
De todos os artesanatos, os artefatos indígenas são os que mais nos levam às raízes de nossa terra. Ainda não sofreram interferências ou influências da ''globalização'' e continuam expressando um modo de vida e de pensar, culturas e costumes particulares.
Utensílios e utilitários tem as cores da natureza. E suas composições aparecem sempre harmoniosas nas peças elaboradas ou nas mais simples.
Não é à toa que nos últimos anos estas peças têm ganho destaque na decoração de ambientes. No Brasil a tendência de trazer para dentro de casa peças de artesanato, valorizando o trabalho manual e seus aspectos culturais só tende a ficar mais forte.
É o reflexo claro e bem vindo do reconhecimento do valor do que é nosso, da capacidade criativa e inigualável do nosso povo. Mas também comprova que a beleza extrapola as regras, conhecimento científico e a tecnologia. Vem da alma do ser humano.
É senso comum entre os profissionais da área que este tipo de peça diferencia os ambientes, personalizando o morar e enfatizando o ''estilo de vida'' de cada um.
Pinturas das várias etnias do povo indígena brasileiro, ricas em cores e com perfis marcantes são bem-vindas em todos os ambientes da casa. O mesmo acontece com as peças ornamentais como cocares e outros enfeites. Evandro Baccara, diretor do Centro Cultural de Arte Indígena de Belo Horizonte (MG) explica que somente o excedente da produção das tribos é comercializada.
Emolduradas ou não, a variedade de materiais, a criatividade dos desenhos e formas são uma referência constante à natureza pródiga, às vezes esquecida atrás dos muros dos arranha-céus.
Os utensílios como cestarias e cerâmicas ganham utilidades diferentes. Se transformam em porta-revistas, detalhes e até petisqueiras no dia-a-dia da casa. Bancos com formas de animais usados originalmente para o conforto dos trabalhos rotineiros da tribo, para conversas em grupo, são apoios interessantes e decoram pontos estratégicos da casa.
Redes tecidas e trabalhadas com materiais diferentes trazem formas e composições próprias. E, como na tribo, alentam nosso descanso e balançam nossos sonhos.
Isto não significa que usar este tipo de peça seja uma unanimidade. Há quem goste e quem não. Mas reconhecer a habilidade e beleza destes trabalhos faz parte de um processo de amadurecimento. Uma forma de respeitar modos de vida diferentes.
Quem quiser conhecer um pouco da produção artesanal dos índios brasileiros pode ir até a Feira de Artesanato que está acontecendo no Armazém da Moda, em Londrina. Coordenadas pelo Centro Cultural de Arte Indígena de Belo Horizonte (MG), mais de 20 etnias do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Roraima, Pernambuco e Rondônia estão apresentando seus trabalhos em um único estande. Hoje é o último dia do evento.


