CUB teve variação de 10,79% em 2002
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domingo, 12 de janeiro de 2003
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
O Custo Unitário Básico da Construção (CUB) teve uma variação de 10,79% no ano passado. Os meses de junho, outubro, novembro e dezembro foram os que registraram maiores variações. Em junho o índice foi de 4,57% por ser a data base dos trabalhadores na construção civil. O acumulado do CUB no final de 2001 era de 7,47%. Em reais, o CUB fechou o ano passado em R$ 640,14 e em dezembro de 2001 era de R$ 577,81.
José Roberto Hoffmann, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Londrina (Sinduscon), explica que o CUB não deve ser usado como valor do metro quadrado da construção, porque ao longo do tempo o valor vem se defasando. ''Ele deve ser usado como um valor de referência, um índice, como o IGP-M'', disse. Hoffmann informou que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) está discutindo modificações nas normas utilizadas para se calcular o custo.
De acordo com Hoffmann, a utilização do CUB como referência para cálculo do metro quadrado da construção não dever ser feito. ''Não se pode pegar o valor e simplesmente multiplicar pela metragem da casa para se saber o custo, isso não dá certo. Cada construção tem sua peculiaridade e o CUB, só pode servir para medir a variação de custos um mês para outro, a longo prazo estes valores estão totalmente defasados.'' Para ele, o índice é usado equivocadamente inclusive por órgãos do governo como o Instituto Nacional de Seguridade Social INSS.
Segundo Hoffmann, a lista de itens utilizados para a composição do CUB precisa ser regionalizada. ''Nós temos que poder utilizar na composição do nosso índice materiais mais adequados e usados no local. Por exemplo, na lista da ABNT estão forração e carpet que praticamente ninguém usa nas construções aqui e o piso laminado, muito mais usado, não entra'', explicou. Para ele, o uso de novas tecnologias, que também ajudam na diminuição de custos, deveria ser levado em consideração, já que a sua utilização reduz o custo da mão-de-obra. ''Na verdade nós temos um problema, a utilização de novas tecnologias diminui os custos, mas provoca um aumento no número de desempregados. E nós precisamos pensar na nossa responsabilidade social'', disse.
O presidente do Sinduscon disse que o CUB é utilizado como índice relativo para variação de custo e, principalmente, para a correção de contratos no prazo de 12 meses. ''Da forma como é calculado hoje, o CUB só é confiável para medir a variação de um mês para outro'', afirmou. Hoffmann credita o aumento do CUB à vulnerabilidade do dólar, que subiu muito no ano passado, e que influencia no preço do combustível, e às eleições. A expectativa para este ano é que os custos caiam. ''O dólar vem diminuindo e as perspectivas parecem boas.''
Lourenço Alencastro Guimarães Neto, gerente comercial da Quadra Construtora, disse que a empresa usa o CUB como referencial. ''Nós fazemos orçamentos para poder calcular os custos das nossas obras, já que muitos materiais vêm de fora da cidade e o CUB é calculado apenas com materiais de Londrina'', disse. Também para ele o combustível e o dólar foram os grandes vilões do aumento de preços do final do ano. Para este ano, Guimarães acha que se a tendência do início do ano continuar, a perspectiva é boa. ''Alguns dos nossos fornecedores já estão com as tabelas mais flexíveis'', disse.


