Célia Baroni
De Londrina
As toalhinhas de crochê em linha fina são perfeitas para criar peças únicas. A experiência que deu certo é da filósofa e artista plástica Vanira Codato. Ela transformou peças de crochê em cúpulas de abajures. O resultado é uma composição delicada e romântica capaz de transformar uma base simples em uma elegante luminária.
A luz da lâmpada marca os contornos da trama do crochê em linha fina. Vazadas sobre a cúpula ou apenas aplicadas, as toalhinhas de crochê parecem até terem sido feitas para se exibirem nas luminárias. A artista plástica conta que sempre foi apaixonada por cúpulas de luminárias e o seus efeito sobre a peça. O casamento entre crochê e cúpula, diz, foi casual e ela mesma se surpreendeu com o resultado.
Conta que tinha várias toalhinhas de crochê antigas e não sabia o que fazer com elas. ‘‘Foi um sucesso. Todo mundo que vê, gosta’’, conta. A receptividade foi tão grande que agora ela está desenvolvendo novos desenhos de cúpulas e suportes. ‘‘Sempre gostei de mudar a função das coisas, enxergar novos potenciais em objetos que parecem não ter mais nenhuma serventia’’, comenta. Para não faltar toalhinhas de crochê, a artista pensa em trabalhar em parceria com grupos de idosos que já produzem este tipo de material.
Mas nem só de crochê vivem as cúpulas de Vanira Codato. Cópias de seus trabalhos em tela também foram transformados em cúpulas em forma de tubos; uma nova forma de expor sua arte. Os desenhos e cores de seus trabalhos ficam evidenciados e dão um ar psicodélico, lembrando o clima dos anos 70.
As telas foram transformadas em gravuras para se adaptar ao novo perfil da obra. Coladas sobre tecido para ganhar rigidez e resistência, elas formam as cúpulas que recebem uma base em papel machê. Os trabalhos de Vanira Codato seguem a linha do caleidoscópio e o principío da mandala.
A composição sempre parte de um centro único ao redor do qual ela desenvolve o desenho. Cheios de detalhes, seus trabalhos são marcados pela reprodução contínua, quase fractal – em uma reprodução detalhada. Em suas obras a multiplicação e os movimentos da natureza estão na presença constante da circunferência e e na repetição contínua do desenho básico defindo a forma da obra.
Vanira Codato já fez várias exposições, inclusive em São Paulo, mas teve sua produção reduzida, deixando de expor por vários anos – período em que viveu na Inglaterra. ‘‘Nunca deixei de pintar, mas passei a me dedicar a outros compromissos que, na época, eram mais importantes’’, conta. Agora, ela reabriu seu ateliê e pretende voltar a expor.

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