Crise econômica traz ajustes ao mercado
Depois do boom vivenciado no mercado da construção civil em Londrina em 2008, a previsão dos empreendedores é que neste ano haverá uma queda nas vendas em comparação com o ano passado. No entanto, há um consenso em afirmar que a queda não representa uma estagnação do mercado. Pelo contrário, significa que o mercado está apenas se ajustando a realidade, em comparação com o ano passado, que foi um ano atípico.
Quanto às consequências da crise, o engenheiro civil Manoel Luiz Alves Nunes, diretor da Vectra Costrutora, prevê uma queda dos juros ainda maior e o fortalecimento justamente do segmento de condomínios residências voltados à classe média. ''Com as fortes mudanças ocorridas no sistema financeiro nos últimos seis meses, a tendência é a intensificação ainda maior do filão de casas prontas em condomínios, impulsionado pela queda nos juros para a abertura de financiamentos'', afirma.
O imobiliarista Raul Fulgêncio compartilha com a opinião de que o crescimento acelerado em 2008 não vai se repetir por causa da crise econômica. Porém, ''o brasileiro é conservador nos investimentos e tende a se voltar para o imóvel, principalmente com a queda dos juros e a instabilidade da bolsa'', acredita.
O diretor da construtora Teixeira Hozmann, Marcos Hozmannm, também tem uma visão otimista quanto à crise. ''É muito discurso e terrorismo, mas as vendas estão acontecendo'', afirma. Para ele, a continuidade do ritmo de 2008 afetaria a disponibilidade de material de construção no mercado. ''Estávamos prestes a sofrer com a falta de material e inflação, então a crise serviu como um ajuste à realidade, mas não com a euforia de 2008''.
Celso Roberto Vignadelle, da CRV Imobiliária, avalia que 2008 foi um ano sem comparação. ''Estávamos no pique da bolha imobiliária, todo mundo vendeu o que tinha. Agora continuamos vendendo, mas dentro da normalidade'', observa.
Apenas o gerente da construtora Curió, Marcelo Ferrano, disse sentir os efeitos da crise econômica diretamente nas vendas dos imóveis. Ele contabiliza uma queda de 70% em relação ao ano passado nas vendas da construtora. ''É que a crise sempre cai no bolso da classe média'', apontou como uma possível causa na queda das vendas da construtora, voltada especificamente para o consumidor dessa classe. (L.M.)





