Espaços abertos, integrados um ao outro visual e fisicamente. Nunca a arquitetura esteve tão preocupada em promover o convívio e evitar o isolamento das pessoas dentro da própria casa. A casa voltou à concepção de lugar para conviver. Opção que fica clara na tendência evidente de reduzir o número de paredes internas e juntar ambientes .
Charmoso e agradável como uma sacada, só que dentro de casa, o mezanino é um dos recursos disponíveis para quem busca um espaço especial e versátil. Concebido para ser uma área de integração, seu maior trunfo é a capacidade de oferecer o domínio visual e, ao mesmo tempo, garantir a privacidade.
Sua proposta é uma resposta cativante à necessidade de multiplicar o espaço físico. A divisão vertical (paredes) acaba formando ‘‘compartimentos’’ dentro da casa e diminuindo os ambientes. Já o sistema do mezanino (divisão horizontal) traz como efeito visual a sensação de espaços mais amplos. Além de um espaço a mais; aberto ou fechado, este espaço dá movimento a casa.
O mezanino nasceu como complemento de áreas comerciais. Seguia a proposta de Bauhaus e Le Corbusier que defendem como ideal o morar o mais próximo possível do local de trabalho. Foram eles os autores da idéia do estúdio e do mezanino como alternativa de uma área íntima integrada a área de trabalho, mas reservada.
No Brasil, o mezanino chega a ser comum em áreas comerciais como uma solução de otimização das construções. Prédios comerciais costumam ter pé direito alto. Sua utilização, porém, ainda é pouco frequente nas casas. Nossas casas (historicamente) costumam ter um pé direito baixo.
A situação só começou a mudar nos últimos anos, impulsionada pela necessidade de otimizar o aproveitamento dos espaços internos das residências. Ganhou também funções variadas. Passou a ser utilizado como área de trabalho (home-office) e é aproveitado para receber ambientes de ‘encontro’ como salas de televisão, música, etc.
Dependendo da função para a qual vai ser destinado, o mezanino pode ser uma área de integração, unindo outros ambientes da casa ou um espaço reservado – que não dá acesso a nenhum outro lugar. A segunda opção é a mais pedida quando a decisão é tomada ainda no projeto.
O mezanino tem se fortalecido na proposta de ser um ‘‘cantinho especial e pessoal’’ dentro da casa. Ele não chega a ser tão isolado quanto o quarto de dormir, mas íntimo o suficiente para dar à pessoa a sensação de privacidade.
Seu perfil se encaixa tão bem aos dias de hoje que ele já é um dos ‘‘detalhes’’ mais frequentemente pedidos também por quem vai contruir. Mas ter um mezanino não é para qualquer espaço. Além do pé direito alto, a construção tem de ter a sua altura diretamente proporcional à largura do espaço. Caso isto não aconteça o resultado pode ser o de afunilamento do espaço.
consultoria: arquiteta Sandra Wihby

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