São Paulo - Nunca houve tanto financiamento para a compra da casa própria com recursos da caderneta de poupança como em março. Só no mês passado, os empréstimos habitacionais com dinheiro da poupança somaram R$ 1,322 bilhão, a maior cifra atingida num único mês desde o início do Real, em 1994, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A perspectiva, diz o presidente da Abecip, Décio Tenerello, é de que este ano termine com volume recorde de empréstimos, na casa de R$ 12 bilhões, ante R$ 9,3 bi registrados em 2006. Quando houve o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em janeiro deste ano, chegou-se a projetar que 2007 fecharia com um total de R$ 10,5 bi de empréstimos habitacionais com recursos da poupança.
''O desempenho de março nos surpreendeu'', diz Tenerello. A expectativa, diz ele, era de que o volume de empréstimos no mês atingisse R$ 900 milhões. Mas houve uma aceleração na velocidade do crescimento dos financiamentos que mais que dobraram (116%) em março ante o mesmo mês de 2006. O levantamento da entidade mostra também que o número de imóveis financiados no mês passado quase dobrou na comparação com igual período de 2006. Foram 16 mil imóveis, a maior marca mensal desde agosto de 2006, quando os financiamentos totalizaram 8,2 mil habitações.
Para Tenerello, uma conjugação favorável de fatores levou a esse excelente desempenho. Ele argumenta que o crescimento real (descontada a inflação) de 5% na renda dos assalariados registrado em 2006 foi um dos combustíveis para o brasileiro comprar a casa própria. ''Sobraram mais recursos no bolso do consumidor.''
Além disso, argumenta, a queda na taxa básica de juros, a Selic, ainda que de forma gradativa, reduziu o custo de captação de recursos por parte das construtoras, o que ampliou a oferta de imóveis, especialmente na faixa de R$ 70 mil a R$ 200 mil, para as camadas médias de menor renda. ''Houve adequação entre a oferta e a procura.''
Também o aumento nos prazos de financiamentos, dilatados de 12 para 15 anos, e a ampliação da fatia financiada, de 60% para 70% do valor do imóvel, contribuíram para um maior volume de empréstimos com recursos da poupança, observa Tenerello. ''Com a mudança nas regras dos financiamentos da casa própria, a prestação diminuiu.''

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