Crédito imobiliário bate recorde em 2006
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sábado, 24 de junho de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
São Paulo - As contratações de crédito imobiliário com recursos de contas de poupança bateram recorde em maio de 2006, com o melhor resultado desde a adoção do Plano Real. O volume de operações contratadas pelos agentes que integram o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiu R$ 868 milhões em maio de 2006 e elevou para R$ 3,26 bilhões o total de contratações dos primeiros cinco meses do ano. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
De acordo com informações da Abecip, o volume de maio deste ano é três vezes maior do que as contratações do mesmo período de 2005 e representa crescimento de 94,64% no volume dos primeiros cinco meses de 2006 se comparado ao ano passado.
A notícia é ainda melhor para o setor se for considerado o período de 12 meses, contados entre junho de 2005 e maio de 2006. Nesse período, o volume de recursos alocados ao mercado superou R$ 6,37 bilhões, que viabilizaram a construção e aquisição de mais de 80 mil unidades.
Esse crescimento pode ser ainda maior nos próximos anos, caso o mercado e o Governo Federal, obviamente, adotem medidas para alavancar o setor. A opinião é do economista Luiz Antonio Rodrigues, diretor de Crédito Imobiliário do Banco Itaú. Ele ministrou um workshop sobre o tema na semana passada, em São Paulo, e apresentou alternativas, a maioria aprovada por outras intituições financeiras, para o crescimento a médio prazo do mercado.
A redução da taxa de juros, o aumento do prazo de financiamento e o aumento do percentual máximo de financiamento estão entre as principais propostas apresentadas pelo economista. O projeto é amparado em ampla pesquisa realizada pelo Banco Itaú e na experiência da instituição, que detém 16% do mercado nacional de crédito imobiliário. O Itaú é a segunda maior instituição financeira que atende esse mercado, ficando atrás apenas da Caixa Econômica, que reina absoluta no setor.
''Se o mercado conseguir absorver essas mudanças, nos próximos seis ou oito anos, vai atingir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro'', considera Rodrigues. Criar mecanismos que aumentem a competitividade das instituições financeiras também vai ser um diferencial do mercado que pode alavancar as aquisições. ''O processo de contratação precisa ser simplicado. O Itaú, por exemplo, pretende criar um cadastro nacional de registro de imóveis, assim como existe com o mercado de automóveis, para que toda a situação daquele imóvel esteja concentrada em apenas um registro'', adianta o economista.
Ele explica que esse cadastro nacional vai dar uma dinâmica maior no processo de compra de imóvel. ''A meta é liberar todos os documentos necessários para compra em menos de 24 horas'', vislumbra Rodrigues. Essas e outras propostas já estão tramitando no governo federal e aguardam aprovação.
(A jornalista viajou a São Paulo a convite do Banco Itaú)


