Célia Baroni
De Londrina
Ter uma cozinha aberta para a sala de estar e sala de refeições é um desejo comum. As expectativas vão desde o prazer de poder aproveitar melhor uma reunião com os amigos, até possibilitar uma ampliação visual do conjunto dos ambientes, dando a idéia de mais espaço. Mas será que a cozinha aberta é mesmo a solução ideal para todos os espaços e resolve mesmo o problema?.
Os arquitetos Nadia Maluf e Roberto Vilela, já projetaram casas e apartamentos com a cozinha aberta para a área social. Mesmo assim, afirmam que esta escolha deve ser feita depois de analisados vários fatores, como o espaço e o estilo de vida da família. ‘‘Nem todos os sonhos são funcionais e práticos quando realizados’’, afirma Vilela.
Como toda proposta, esclarecem, a cozinha aberta tem seus prós e contras. Ela gera uma maior integração dos moradores e com os convidados. ‘‘Quem está na cozinha não fica isolado, pode participar das conversas e a tendência é as pessoas se aproximarem para ajudar ou acompanhar quem está preparando o alimento’’, comenta. Aberta, a cozinha dá um toque de despojamento, intimidade e informalidade. O balcão faz o papel de elo entre ambientes tão diversos.
Para os dois arquitetos, a cozinha aberta é uma necessidade mais emocional do que prática. Nádia Maluf lembra que atualmente, em uma família, o homem e a mulher trabalham fora, sobrando pouco tempo para conviver entre si e com os filhos. A cozinha fechada afasta e isola quem está cozinhando do resto da família. Já a cozinha aberta atrai e estimula a aproximação e a cooperação. ‘‘Ela permite um aproveitamento melhor do tempo em casa’’, acredita.
Mas ter uma cozinha aberta não é tão fácil quanto parece. Ela exige uma decoração mais suave. Não pode causar choque com o ambiente social, sem perder a sua identidade. Mais que isto, quem quer ter uma cozinha aberta tem de ser organizado porque ela tem de estar impecável praticamente 24 horas por dia. Não é nada agradável receber uma visita inesperada com a cozinha toda desarrumada.
O projeto tem de ser muito bem pensado, de preferência em conjunto com a empresa que vai fazer a cozinha planejada. Vilela acentua que, além da estética, o projeto precisa reduzir ao máximo os problemas que uma cozinha aberta traz. A circulação de ar, por exemplo, tem de ser otimizada para reduzir ao máximo o volume de gordura e odores característicos passem para a área social e íntima.
A empresária Cleusa Rossi, conseguiu realizar seu sonho e não tem nenhum arrependimento. Como ela mesma diz, sua cozinha não é aberta, é ‘‘escancarada’’. Ela foi projetada de forma a ter apenas duas paredes em forma de ‘‘L‘‘. As duas são abertas, uma dando passagem para a área social - sala de refeições e a outra para a varanda da casa. Um apoio serve de aparador ou mesinha para refeições rápidas.
‘‘A verdade é que eu nunca gostei de paredes. Gosto de espaços amplos e sempre cheios de amigos’’, confessa. Em seu último apartamento ela optou por uma reforma para abrir a cozinha. Quanto a necessidade de deixar sempre a cozinha em ordem, a empresária diz que é bem organizada, mas atribui o mérito da ordem durante a semana à sua empregada.
No apartamento da arquiteta Teba Godoy, a cozinha aberta também foi uma escolha. O apoio que divide a cozinha da sala de estar foi transformado em uma mesa dupla, aumentando sua versatilidade que dá tanto para a sala como para dentro da cozinha. Os limites da abertura receberam detalhes como um porta vasos e, nos cantos, peças graciosas.Elas são alegres, tornam a casa mais aconchegante mas exigem uma decoração diferente e cuidados permanentes com a ordem
César AugustoDorico da SilvaINTEGRAÇÃOEm casa ou apartamento a opção por cozinhas abertas, segundo arquitetos, deve ser feitas depois de pesar os prós e os contras. Mas, que tem uma não se arrepende: o convívio entre ‘cozinheiro’ e convidados é muito prazeiroso

mockup