Peças para qualquer tempo e qualquer ambiente. O arquiteto e designer Marcos Cohen, de São Paulo, acredita no básico e aposta no estilo clean como tendência permanente. Lembra que, na área do design, as mudanças não acontecem por acontecer. Como na natureza, são reflexo de uma necessidade do ser humano e da busca constante de melhorar a qualidade de vida, o que inclui a beleza.
O grande avanço da nossa época, argumenta Cohen, foi conseguir entender que o simples, o útil e o belo estão em comunhão e são iguais em importância no cotidiano. ‘‘O objetivo é sempre a harmonia interior e exterior.’’
Mantendo as linhas retas, Cohen primou pelo minimalismo no projeto de mesas e acessórios como bandejas, jogos americanos e porta-copos. Deixou como únicos detalhes na linha lançada para este ano o uso do couro e costuras aparentes.
A primeira vista, as peças de Cohen não trazem nada de novo, mas prendem a atenção imediatamente pela elegância e simplicidade do uso do óbvio. O couro confere às formas cúbicas um sabor clássico de dar água na boca enquanto brinca com um ar de contemporâneo conferido pela leveza e falta absoluta de detalhes que distraiam a atenção.
As peças são objetivas. São claras. Não sugerem – apenas afirmam a sua função. Meio mordomo inglês, são quase prepotentes : ‘‘Estou servindo, mas minha classe é inquestionável’’. Cohen não aceitou desvios de assunto nem na escolha das cores do material. As peças aparecem nas cores preto, branco e marrom. As costuras aparentes são tom sobre tom, não se deixando influenciar pelas pinceladas de tons mais vivos que vêm marcando as tendências nos últimos dois anos.
Para ele, as peças têm de ser básicas para admitir a personalização do ambiente, valorizando a escolha de cada acessório. ‘‘O grande avanço da nossa época está justamente nisso: na liberdade de gostar de tudo e poder mostrar nossas preferências na rua e dentro de casa’’, afirma. Isto, no entanto, exige peças que coloquem em destaque o gosto de cada um, sem interferências – aprovações ou rejeições.
A escolha do couro volta a se justificar. Clássico, ele se adapta com perfeição a ambientes elegantes ou rústicos. Combina com prataria moderna ou rebuscada e faz um efeito maravilhoso com peças de fibras e artesanais.
O material utilizado por Cohen é sintético. Para baratear o custo? Não. O arquiteto diz ser contra a utilização de peles de qualquer animal. ‘‘Alimentar-se de carne ainda é uma necessidade embora discutível, mas usar a pele do animal é a ostentação de uma falsa superioridade’’, argumenta.
Cohen admite que o principal motivo da escolha do material é pessoal. Reconhece a beleza do couro natural, das peles e de sua textura particular mas frisa que a definição do couro sintético é também a mais inteligente para o seu trabalho. Além do mercado oferecer produtos de qualidade com aparência e tato perfeitos, o couro sintético tem uma resistência maior a manchas. Por isto, diz, é melhor indicado para peças de apoio propostas pela sua linha.

mockup