Corredor ajuda a melhorar o clima da casa
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de setembro de 2001
Célia Baroni 
Já parou para pensar que o corredor é um espaço esquisito? Ele é feito para quem passa de um ambiente para o outro. Para quem sai, para quem entra. Sempre de passagem. Sempre com pressa. E fica ele, assim, meio perdido, resignado na sua função de servir sem ser realmente notado ou apreciado.
Uma desvalorização sem sentido na opinião do arquiteto Wagner Donadio de Souza. Ele lembra que todo espaço tem potencial para ser uma fonte de prazer a mais. ''Um espaço subestimado é sempre um desperdício'', afirma. Para o arquiteto o corredor é uma parte importante porque pode assumir também a função de preparar os usuários para o objetivo do espaço onde querem chegar.
Wagner Donadio sugere que o corredor seja transformado em um ''passeador''. Que, além da função de conduzir, este espaço ajude as pessoas no processo de desaceleração do ritmo frenético do cotidiano. Propõe que eles enfatizem a necessidade imprescindível de deixar a pressa do lado de fora para garantir uma vida de melhor qualidade dentro de casa.
O ''passeador'' tem de lembrar que a vida tem de ser apreciada minuto a minuto, segundo a segundo; sem pressa, sem ansiedade. Um bom projeto de iluminação é o primeiro passo para criar um clima agradável e tranquilo. A luz difusa deve predominar para suavizar a caminhada enquanto a luz focada funciona como chamativo para olhar com mais atenção uma tela, gravura ou peça de decoração.
Todas as peças usadas no ''passeador'' têm de sugerir prazer de viver. Provando sua teoria o arquiteto projetou e elaborou o corredor da ala íntima de uma casa. Usando seu conhecimento de diretor de teatro e cenografia, escolheu como tema as paisagens fotografadas por Ricardo Braescher.
Transformadas em painéis enormes elas cobrem as portas do pequeno corredor que ganhou profundidade e uma continuidade infinita, quase como o efeito de uma miragem. Para suavizar a luz difusa do teto ele usou um tecido elástico branco trabalhado em uma escultura de formas irregulares. Meio nuvem, meio ninho, o tecido apazigua os ânimos e dá a sensação de proteção. Peças coloridas e interessantes também foram expostas nas paredes, lembrando viagens e momentos felizes.


