Coronel fala sobre estratégias de segurança
Aprisionar-se em fortalezas urbanas não é, necessariamente, sinônimo de segurança. Esta é a tese defendida pelo coordenador de Ações Comunitárias da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, coronel Roberson Luiz Bondaruk. Fruto de quase 30 anos de trabalho na Polícia Militar, e de um estudo de dois anos para o doutorado em Estratégias de Segurança Pública, Bondaruk concluiu que detalhes nas características arquitetônicas, urbanísticas e paisagísticas podem influir diretamente nos níveis de criminalidade. Por outro lado, a pesquisa também comprovou que, em tese, modificações simples, criativas e baratas no desenho urbano podem reduzir a probabilidade da ocorrência de delitos. É a Prevenção do Crime Através da Arquitetura Ambiental, ou simplesmente Arquitetura Contra o Crime.
Residências cercadas por muros altos, com pouca incidência de luz e obstáculos naturais que dificultam a visão são os espaços preferenciais para a ação dos ladrões. ''Os muros altos dificultam tanto a visão de quem está dentro como quem está fora da casa. Sem ser observado, a privacidade passa a ser do criminoso, que permanecerá mais tempo no local e poderá agir de forma ainda mais violenta com a vítima'', pondera.
Conforme Bondaruk, a substituição por um sistema de gradeamento, a construção de janelas voltadas para a rua e uma boa iluminação inibiriam um comportamento delituoso. A radiografia dos espaços mais visados pelos ladrões foi feita com base em análise de características e entrevistas com moradores de 100 residências que registraram o maior número de furtos e roubos no ano de 2005 em Curitiba. O coronel também estendeu a pesquisa aos estabelecimentos comerciais e contou com as informações de 287 presos em regime de recuperação que decidiram colaborar com o estudo.
No caso de condomínios verticais, portaria recuada, má localização da garagem e do playground são falhas arquitetônicas frequentes que facilitam a ação dos criminosos. ''Uma portaria avançada representa vigilância para o condomínio e os transeuntes. O playground, que geralmente ocupa uma sobra de espaço no projeto, deveria ocupar uma área nobre, com janelas de frente para ele a fim de que as crianças sejam observadas'', sugere o especialista.
Já nos condomínios horizontais a crítica é direcionada aos moradores que relutam em obedecer às regras de segurança. ''Se o condômino não permite a identificação de um não-morador que está com ele, coloca em risco a segurança de muitas pessoas. O morador precisa se conscientizar que, para deixar de se predispor a ser vítima, precisa abrir mão de certas comodidades'', finaliza. (C.V.)
Serviço
- O coronel Roberson Bondaruk ministrará a palestra ''Sociedade Contra o Crime'' no próximo dia 10, às 19 horas, no Anfiteatro da Faculdade Luiz Meneghel, em Bandeirantes. O objetivo é sugerir medidas que a sociedade e profissionais da construção civil devem tomar para manter a segurança. O evento é uma realização do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR) e Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bandeirantes (Aeaban) e terá entrada gratuita.





