Cores e formas definem novos telhados
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de abril de 1999
Ligia Barroso 
A cobertura, estrutura que define a forma e o estilo arquitetônico do conjunto de uma edificação, ganha novos aliados em sistemas construtivos. O telhado e as telhas, elementos que compõem a estrutura da cobertura, ganharam tecnologia associada à criatividade. O primeiro, quando em madeira, substitui a manufatura artesanal por trabalho de engenharia e produção industrial. No segundo, novas cores pigmentam a variedade em material utilizado. Além da cerâmica, ganharam cor também as telhas em fibrocimento e concreto. Além do barro, ganharam forma também o plástico, o zinco e as fibras de vidro.
Tecnologia importada dos Estados Unidos, o Gang-Nail é o mais moderno sistema de fixação de telhados em estruturas de madeira. Pré-fabricadas, as peças em madeira que vão formar a cobertura (vigas, caibros, ripas, terças, testeiras e tesouras) são dimensionadas de acordo com a geometria e volume solicitados em projeto, cortadas em ângulos exatos e fixadas através de conectores metálicos - peças dentadas confeccionadas em aço zincado a quente.
Além da racionalidade do uso da madeira, que resulta em custos finais menores, outro importante diferencial deste sistema, é a garantia de fixação. São ligações rígidas, que não causam o enfraquecimento da peça de madeira e oferecem como resultado final estruturas mais leves, mais resistentes e mais duráveis, explica o engenheiro Antonio Damiano.
Especialista em estruturas de madeira e profissional técnico responsável pela produção da empresa Telhados, de Londrina, Damiano salienta que o sistema permite a construção de estruturas dimensionadas para qualquer vão livre, solicitadas em edificações residenciais, comerciais, industriais ou rurais. Além disso, permite a uso de qualquer uma das mais de 150 espécies de madeira mais comercializadas no Brasil, incluindo as de reflorestamento; e pode ser aplicado para qualquer tipo de telha, abrindo espaço tecnológico também para a criatividade de arquitetos e engenheiros.
E como a principal técnica do sistema é o corte angular exato, ele permite também a fixação sem os conectores; ou seja, a utilização da montagem tradicional em montagem de telhados em madeira, com pregos, só que com encaixe e dimensões perfeitas, completa o engenheiro. Segundo ele, em qualquer uma das formas de utilização, os princípios de engenharia para a pré-fabricação dessas estruturas é que vão condicionar a mudança do conceito para a construção de telhados.
O carpinteiro passa a ser um montador e não mais um construtor de telhados, diz. Damiano enfatiza que esse profissional continuará a desempenhar o mesmo e importante papel na execução do trabalho de carpintaria, mas agora respaldado pela garantia da madeira previamente selecionada, do projeto dimensionado, do planejamento realizado com orientação técnica e execução de acordo com as Normas Técnicas Brasileira. Ou seja, assim como ao consumidor, o sistema também garante a utilização de tecnologia fundada em qualidade para os profissionais que executam a mão-de-obra de montagem.


