Célia Baroni
De Londrina
Eles não fazem barulho, não sujam a casa, não precisam sair para passear e são lindos. Esta aparente simplicidade nos cuidados, fez dos peixes ornamentais ótimos animais de estimação. Mas, além de fazer companhia, os peixes ornamentais e suas casas – os aquários – podem ser transformados em um excelente recurso para a decoração de ambientes em casa ou no escritório.
Disponíveis nos mais diferentes formatos, tamanhos e tipos (água doce ou água salgada), eles podem integrar a decoração de praticamente todos os ambientes da casa. Bem cuidados, parecem telas vivas, uma paisagem em movimento contínuo. E como uma pintura, a sua escolha do estilo depende unicamente do gosto de quem compra. Não precisa respeitar padrões específicos.
Feitos em vidro transparente para permitir a melhor visualização dos peixes, cada aquário pode ser uma obra de arte para o seu criador. Eles ter uma paisagem árida, composta por pedras construindo cavernas. Pode lembrar um arrecife ou o fundo cheio de plantas naturais ou artificiais; ou simplesmente uma mistura. Há quem goste de colar paisagens variadas na parede de fundo do aquário para dar mais densidade à composição.
Carlos Bim, trabalha há três anos com montagem de aquários, e garante que eles podem se tornar uma paixão. ‘‘As pesssoas começam sempre com um aquário pequeno e vão aumentando com o tempo’’, comenta. Para quem gosta, acrescenta, o aquário é uma fonte de prazer. Alerta, porém, que ter um aquário pode virar um pesadelo se a pessoa não tiver orientação correta e os equipamentos adequados para cuidar dele e dos peixes.
‘‘É fácil se apaixonar pelos aquários que vemos nas lojas de animais porque eles aparecem com água límpida, peixes saudáveis e equipamentos bem colocados. Mas este resultado é consequência de muito cuidado’’, frisa. Independente da função do aquário – decorativa ou hobby –, o primeiro passo é a escolha do tipo de peixe. Desta escolha depende todo o resto.
Bim explica que existem três tipos de peixes e que eles não devem ser colocados no mesmo aquário. São os bravos, entre eles os ciclídios (carnívoros) e os mansos. Nos três tipos há espécies de praticamente todas as cores, por isto a escolha de um dos tipos não vai impedir a formação de um aquário colorido. O tamanho do aquário define o número máximo de peixes – um número muito grande reduz a quantidade de oxigênio na água e prejudica a saúde dos animais provocando a sua morte prematura.
O ‘‘caráter’’ do peixe também define o número de companheiros que ele poderá ter. Carlos Bim explica que mesmo entre os mansos há espécies mais solitárias e que defendem seu território de outros peixes da mesma espécie. A solução é criar os peixes juntos desde pequenos e caso deseje acrescentar mais um à comunidade. Faça um teste antes para ver se não há rejeição.
A qualidade da água é o fator mais importante tanto para a estética do aquário quanto para a qualidade de vida dos peixes. A temperatura e o PH da água devem estar permanentemente regulados com o ideal para os moradores do aquário. Alguns peixes vivem melhor em água com PH ácido, outros no básico e alguns preferem o neutro. Respeitar esta dica garante inclusive o brilho das escamas e que o peixe não fique com suas cores desbotadas (sinal de problemas de saúde ou de não adaptação). Investir em equipamentos de limpeza e no PH da água garantem a sua transparência.
Se a proposta é ter um aquário mais simples, uma boa opção são os peixes que não precisam da oxigenação da água. Segundo Carlos Bim, foram catalogadas pelo menos cinco espécies que não dependem exclusivamente do oxigênio da água. Estas espécies seriam capazes de retirar oxigênio da lâmina d’ água. Isto simplifica os cuidados com o aquário e elimina a necessidade de equipamentos de oxigenação. Um exemplo, diz, é o Beta, uma espécie de peixe do tipo bravo que só pode ser criado sozinho.
Quem não quer trabalho dobrado deve esquecer as plantas naturais. Elas são maravilhosas, dão mais movimento a composição do aquário porque oscilam ao sabor das ondas formadas pelo movimento dos peixes. Em contrapartida, pedem tantos cuidados quanto os peixes. O solo tem de ser adequado, precisam ter as folhas secas retiradas e, periodicamente, pedem adubo. Se o ambiente for propício, elas podem se multiplicar demais e tomam o lugar dos peixes.

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