A construção de um cenário para uma política habitacional brasileira, em terreno um pouco menos íngrime, está fazendo com que os bancos privados voltem a se interessar (mais) pelo crédito imobiliário. A (divulgada) estabilidade econômica do País e a (real) queda dos juros são os principais fatores, principalmente para os bancos estrangeiros, que argumentam que assim é possível reduzir o abismo histórico entre prestações, saldo devedor e valor do imóvel – ou seja, diminuem o risco de inadimplência. E quem pode lucrar com isso é a classe média, que costuma ver na Caixa Econômica sua principal alternativa.
Em Londrina, uma parceria assinada esta semana entre a Abílio Medeiros Imóveis e a agência local do banco espanhol Bilbao Vizcaya Argentaria-BBVA, permitirá que os clientes da imobiliária tenham acesso ao financiamento de um imóvel, novo ou usado, com menos burocracia. Na própria imobiliária, o cliente fará a pré-qualificação digitando dados como o valor do imóvel, o valor do financiamento e o prazo pretendido que varia de um a 15 anos em um programa do banco que simula possibilidades de aquisição do financiamento. O resultado: o valor da prestação com os encargos, a renda necessária para adquirir o financiamento e, se enquadrado, o crédito em no máximo 20 dias.
‘‘A dificuldade e a perda de tempo para se aprovar financiamentos é grande. Com este sistema de pré-qualificação na hora, o banco vai precisar de apenas 20 dias para aprovar o crédito’’, diz Abílio Medeiros Júnior, diretor da imobiliária. Outra vantagem, segundo ele, é que além de desburocratizar o acesso ao financiamento, o cliente pode ser orientado a redirecionar o investimento – ‘‘geralmente, o cliente vem à imobiliária com dinheiro para adquirir o imóvel que, muitas vezes, poderia ser melhor empregado como capital de giro da sua empresa. E, nesse caso, ser orientado a buscar o financiamento que tem juros menores se comparado ao preço do dinheiro no mercado financeiro’’.
Na carteira de crédito imobiliário do BBVA, financiamento de até 70% do valor do imóvel (limitado ao teto de R$ 150 mil, para que seja enquadrado no Sistema Financeiro de Habitação, em avaliação de compra de até R$ 300 mil), e juros de 12% ao ano mais TR mensal. Para imóveis com valores de compra acima de R$ 300 mil, as taxas são de mercado. O limite mínimo para o financiamento é de R$ 32,5 mil.
‘‘A intenção é popularizar o acesso ao financiamento da casa própria e, neste caso, a imobiliária será uma facilitadora para o cliente buscar recursos com rapidez’’, diz o diretor da agência do BBVA em Londrina, Ivan Peralta. Ele reforça a principal vantagem da parceria: reduzir para 20 dias o tempo gasto com a aprovação do crédito, ‘‘que no mercado, é em média, de dois meses’’. Reforça, no entanto, que a aprovação do financiamento vai depender ainda da autenticidade da documentação, ‘‘mas a simulação já faz uma pré-qualificação que permite ao cliente saber de imediato se está apto a assumir as parcelas do financiamento e qual o período de tempo necessário para a quitação’’.

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