A construção civil continua em alta, mantendo-se como um dos setores de destaque no mercado brasileiro. Segundo dados divulgados pelo Serasa, entre seis setores avaliados em 2010, o de construção civil foi o que mais cresceu na atividade varejista, com alta de 17% na comparação com 2009.
  Este ano as expectativas em torno do setor varejista da construção civil continuam boas. De acordo com o Pyxis Consumo, ferramenta de potencial de mercado Ibope Inteligência, o comércio de material de construção deve movimentar R$ 76,4 bilhões. O foco das vendas em 2011 apontam para pessoas físicas que estão reformando a casa ou construindo seu primeiro imóvel. A média de gastos per capita apresentada na pesquisa gira em torno de R$ 469.
  Apesar das expectativas serem positivas, Arnaldo Laghetto, diretor de marketing-pesquisa da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), acredita que será difícil ultrapassar os ganhos obtidos em 2010. Ele estima que o mercado varejista da construção civil que movimentou R$ 50 bilhões no ano passado, tenha um aumento de 6,5%, sob o montante. ‘‘Sonhar com um ano igualzinho a 2010 é sonhar muito. Porém, prever 6,5% sobre um recorde que foi 2010, está ótimo. O ano passado se sobressaiu, esquecemos a crise vivida em 2008, mas não dá para esperar que ele se repita da mesma forma’’, resigna-se.
  Laghetto argumenta que depois da divulgação da pesquisa elaborada pela Pyxis Consumo muitas coisas mudaram. Ele cita os desastres naturais do Japão e as confusões do mundo árabe ocorridos após o estudo e que podem interferir no comportamento dos mercados.
  A confiança na manutenção dos bons números do setor incentivam a empresária Edina Bordignon de Oliveira, de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), a expandir os negócios. Ela abrirá uma nova filial da Construcasa Bordignon em Ourinhos (SP). No Norte Pioneiro, a empresa conta com três lojas e dois showrooms. As expectativas são bastante positivas, afirma a empresária. A demanda está aquecida pela nova classe C, que passou a responder por 53% da população em 2010, sendo a maior do país, com 101 milhões de pessoas e a região Sudeste deve ser responsável por 54,5% dos gastos com materiais de construção. ‘‘Os números são atrativos para qualquer empresa, mas os planos de expansão vêm de um projeto antigo, de levar nosso know-how para outros estados, unimos o desejo ao momento propício para expansão dos negócios’’, justifica Edina.
  O empresário Marcelo Carani, presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção (Acomac), também está otimista com o setor em 2011. Por conta da demanda das classes C e D e dos estímulos federais como o PAC e o programa habitacional ‘‘Minha Casa, Minha Vida’’. ‘‘A população está mais consciente em ter sua própria moradia. Quem não constrói sua própria casa acaba acompanhando a obra e escolhendo o acabamento final.’’ Os que constróem, continua ele, buscam desde a matéria-prima bruta até itens decorativos para o término da construção. ‘‘Até a mão de obra está se tornando uma raridade no mercado. A produção do cimento aumentou, assim como a venda de acabamentos como tinta, piso e revestimentos cerâmicos’’, conclui o presidente da Acomac.

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