Marcos NegriniReflexãoMais de 400 profissionais do setor de habitação participaram do evento em MaringáO publicitário Gil de Kurtz, diretor da Upper Propaganda e Marketing, de Porto Alegre, disse na quinta-feira em Maringá que o setor imobiliário precisa mudar o comportamento para voltar a atrair o consumidor. Ele fez palestra durante o 8º Encontro da Habitação e do Mercado Imobiliário Paranaense, promovido pelo Secovi-Pr, Sinduscon-Nor, Associação Comercial e Industrial de Maringá e Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Maringá. Mais de 400 profissionais participaram do encontro.
A agência de Kurtz desenvolveu no ano passado uma campanha para mudar a relação entre incorporadoras e imobiliárias com os potenciais clientes. Toda campanha foi feita em cima de 20 perguntas. ‘‘São as 20 perguntas que todo chato que se preze deve fazer na hora de comprar um imóvel’’, explica. Ele lembra que entre 1995 e 1996, as incorporadoras começaram a passar por dificuldades para a entrega dos imóveis vendidos na planta.
A crise financeira, se aliou ao descrédito do cliente perante as empresas, que não conseguiam cumprir os contratos. ‘‘O Sinduscon sentiu a necessidade de mudar a imagem que sobrou do setor, e nos pediu a campanha’’, conta Kurtz. A agência aceitou o desafio e fez uma pesquisa com os possíveis compradores de imóveis. O resultado mostrou que a grande maioria mostrou-se crítica quanto ao atendimento dos corretores, optando pelos classificados dos jornais para encontrar um imóvel.
O sistema de venda na planta, com o imóvel comercializado antes do início das obras, gerou muita insegurança aos clientes. ‘‘Decidimos então atacar todo procedimento identificado como prejudicial às vendas, subsidiando o comprador para agir de forma correta na busca do imóvel’’, explica Kurtz. Além da propaganda em jornal de grande circulação na capital gaúcha, foram distribuídos cinco mil cartazes e a mesma quantidade de manuais.
O resultado imediato, segundo Kurtz, foi um aumento de 15% de compradores nos plantões de vendas. ‘‘Mas o objetivo da campanha é a médio e longo prazo, mudando a relação entre as duas partes’’, afirma. Agora o trabalho é de fixação das estratégias, através do contato direto entre os corretores e possível compradores. ‘‘Acreditamos que já foi iniciada uma mudança na imagem do setor, que deve refletir na confiança do comprador para a empresa’’.
Outro destaque do encontro foi o arquiteto Siegbert Zanettini, diretor da Zanettini Arquitetura, Planejamento e Consultoria, de São Paulo. Ele falou sobre a necessidade da arquitetura dentro do mercado imobiliário. ‘‘As necessidades dos usuários de imóveis mudaram muito, e as empresas precisam planejar os espaços para atender o público que quer atingir’’, afirma Zanettini.
Ele defende o planejamento como forma das empresas melhorarem todo o sistema produtivo. ‘‘A arquitetura permite desde a redução dos custos finais da obra até a satisfação do cliente, mas é preciso a união de todo segmento para se alcançar resultados positivos’’, alerta.
Hoje, segundo Zanettini, a arquitetura não é mais encarada como um trabalho sem necessidade dentro das obras, seja um apartamento ou um grande shopping. ‘‘Nos últimos cinco anos isso está se tornando mais evidente, mas estamos na virada do milênio, e é preciso mudar muita coisa ainda’’, garante. Ele defende ainda o uso do planejamento arquitetônico inclusive em conjuntos habitacionais. Não apenas como forma estética, mas oferecendo as necessidades que os moradores necessitam.
A arquitetura, segundo Zanettini, ficou relegada a um segundo plano por algumas décadas. ‘‘Agora estamos conseguindo abrir espaços, pois sem um projeto adequado, o mercado da construção civil não vai conseguir alcançar a qualidade total e estará fadada ao fracasso’’.

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