As obras de arte correm sério perigo nas mãos de quem se passa por profissional no campo da moldura, mas não sabe distinguir um desenho de uma aquarela. ‘‘É muito comum a gente receber trabalhos completamente danificados, alguns preciosos que acabam sendo restaurados. Isso acontece porque não houve uma preocupação prévia enquanto obra de arte. Uma aquarela jamais deveria ser colada, e é comum acontecer isso. A maioria das moldurarias cola’’, alerta Robson Kalil.
Esse procedimento ocorre porque o dono da obra não quer o papel ondulado. Para satisfazê-lo o ‘‘profissional’’ faz a colagem numa chapa de eucatex. ‘‘Se não tem o PH correto e num clima úmido como o de Curitiba, é quase certo que a peça vai fungar, criar pintas, estragar. O fato do papel estar ondulado não é incorreto, mas esticá-lo demais é perigoso. Obvio, que se houver necessidade de colagem, até pode ser feito desde que com colas adequadas, numa superfície adequada’’.
Essa é a margem mais extensa do mercado, porém as mudanças estão ocorrendo, como explica o especialista: ‘‘Hoje o cliente é mais exigente. Dificilmente alguém está disposto a comprar alguma coisa e, se não der certo, trocar por outra. Hoje há um senso de valor mais apurado, ninguém mais quer coisas descartáveis. A retomada das molduras com linhas clássicas tem a ver com isso, passa por esse novo olhar’’.
O consumidor dos anos 2000 ao mesmo tempo que reavalia os valores, abre-se também para as diversas tendências sem fechar-se num único estilo. ‘‘Estamos produzindo peças em estilo barroco, ou vitoriano, que nos anos 70, 80 muita gente, literalmente, jogou no lixo’’, afirma Kalil. Dá para sentir que a moda impera com menos vigor, ela deixou de ser determinante. Outra novidade refere-se à estética: papéis como a fotografia, a gravura e a aquarela estão sendo encaradas como obras de arte – condição que seus artistas sempre reclamaram.

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