Construtoras cumprem mais uma etapa
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de março de 1999
Ligia Barroso 
Implantado em agosto do ano passado, o Programa de Melhoria de Qualidade e Produtividade na Indústria da Construção Civil, já começa a dar resultados para 16 empresas londrinenses. Integrantes do projeto desenvolvido pelo Sinduscon Norte em parceria com o Sebrae Londrina e o CNPq, estas construtoras já têm normatizadas as regras para o controle de compras, recebimento, estocagem e distribuição dos produtos fornecidos para a composição do rol de material necessário às atividades de produção no canteiro de obras.
É a finalização dos duas primeiras etapas das atividades programadas dentro deste projeto, comenta Luiz Fernando Covelo Silva, um dos consultores contratados pelo Sebrae. A partir dos procedimentos padronizados no processo de aquisição de material junto aos seus fornecedores, as empresas estabelecem o primeiro passo para a construção de produto final melhor acabado e consequentemente com melhorias na qualidade e produtividade da obra, enfatiza.
O consultor diz ainda que como a construção civil é uma indústria de montagem, para garantir um produto final com qualidade ao usuário e consumidor - casas, apartamentos, rodovias, pontes etc. - as empresas têm, antes de tudo, que adotar critérios de qualidade na compra dos insumos que montam a sua obra. Ou seja, saber comprar e avaliar a areia, o cimento, cal, blocos cerâmicos, concreto, portas e janelas, argamassas e revestimentos, entre tantos outros. O bom emprego destes elementos é que fornecerá um produto adequado ao mercado. Por isso, saber comprar e estabelecer critérios ao fornecedor, para que os produtos adquiridos estejam dentro dos padrões exigidos, são elementos essenciais para a formação do círculo da cadeia produtiva organizada.
Como parte das atividades, algumas das empresas que participam do programa apresentaram semana passada os procedimentos operacionais adotados para aquisição correta de material de construção. A Construtora Almanary, por exemplo, registrou os padrões adotados para a compra de forro de gesso. A partir de agora, a empresa não adotará mais a forma tradicional tanto para a compra como o recebimento do material, em que o principal ponto era a visualização do produto.
Já na cotação de preços o fornecedor é questionado sobre medidas, dimensões e peso, critérios de padronização recém-adotados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. A compra só é efetuada se o fornecedor estiver dentro dos padrões da ABNT, e na hora da inspeção confere-se tudo. A entrega só é realizada se todos os requisitos solicitados estiverem de acordo.
Na guias de especificação e inspeção de material de construtoras como a Artenge, Terra Roxa, Port e a Mavillar, também as normas adotadas como padrão pela ABNT são hoje, junto com a cotação do melhor preço, pré-requisitos para a compra. E mesmo em casos em que é difícil estabelecer o critério de qualidade, como a areia, só o preço e a palavra do fornecedor já não são o bastante para garantir o produto, comenta Luiz Fernando.
Para mostrar como é possível superar uma das principais dificuldades neste processo de qualificação da produção, a equipe da Construtora A. Yoshii encenou como é e de que forma tem que ser a relação fornecedor-comprador-recebedor. Usou como exemplo de material a areia fina. Produto básico e facilmente garantido pelo fornecedor, mas nem sempre de acordo com a qualidade necessária para sua finalidade, que é o de acabamento, e na metragem solicitada, e cobrada, argumenta o engenheiro civil Moacir Soares.
Na prática, a equipe mostrou que, desde a hora da compra é preciso dizer como quer o produto. Explicamos que estamos buscando qualificar ainda mais nossos serviços, informamos quais os nossos critérios para compra, como o produto deve ser entregue e que, caso estes itens acordados não sejam cumpridos, não ficaremos com o produto, explica. Segundo o consultor do Sebrae, esta é também a primeira providência para que se estabeleça, em paralelo, a qualificação de muitos produtos e fornecedores.


