Com as novas exigências trazidas pela globalização, as maiores construtoras do Brasil iniciaram, nos últimos anos, intenso processo de terceirização de atividades nos canteiros de obras. A demanda por edificações, executadas dentro de prazos e controle de qualidade rigorosos, obrigou a construção civil a procurar métodos construtivos inovadores e a reduzir custos operacionais.
O setor teve, ao mesmo tempo, de agregar aos empreendimentos grande massa de recursos tecnológicos (automação predial, previsão de cabeamento estruturado, flexibilidade de planta para atender ao tráfego de dados, Internet em compatibilidade com instalações elétricas e de ar-condicionado, entre outros) para responder às necessidades dos usuários.
Dessa forma, o foco principal deixou de ser a construção e passou a se concentrar na gestão de processos. Nesse modelo, a coordenação, a ‘inteligência’ da obra, permanece nas mãos das construtoras. Elas assumem papel de integradoras e gerenciadoras; e as atividades de canteiro, como impermeabilização, instalações elétricas, hidráulicas e ar-condicionado, caixilharia, pintura e fechamentos internos ficam por conta dos parceiros terceirizados (formado por grupo selecionado e aptos a ‘reconhecer’ as normativas do novo sistema), sob supervisão da ‘empresa-mãe’.
Desta forma, o processo de parceirização (como já é denominado pela Método Engenharia, de São Paulo) permite acompanhar a atualização tecnológica e os novos métodos construtivos, sem custos adicionais para a construtora, garantindo competitividade em todas as etapas dos empreendimentos, desde o projeto até a entrega e o pós-venda.
Pioneira na introdução de novas soluções para o setor, no Brasil, a Método mirou-se no exemplo das células de produção da indústria automobilística (com focos altamente especializados), e tratou de repassar esse know-how, com as adaptações necessárias, para a construção civil. O ‘sistema de competências integradas’, adotado pela empresa, reuniu projetistas, consultores, fornecedores e clientes na criação de dez subsistemas – fundações e contenções; estrutura de concreto e revestimentos; impermeabilização; movimentação (gruas e elevadores); instalações elétricas e hidráulicas; ar-condicionado e automação; fachada e fechamentos internos.
O resultado é que cada segmento conta com uma empresa-líder, parceira nas obras, que encarrega-se de executar todas as tarefas relacionadas ao seu campo de atuação. Se for de fundações, por exemplo, cuidará da remoção de terra, execução de paredes de contenção, compra de aço e concreto dentro de especificações pré-determinadas; se for de fechamentos internos, executará paredes dry wall (gesso acartonado), forros, fixação de batentes e portas e ainda a pintura.
Segundo a direção da construtora, cerca de 70% das empresas-líderes, que atuam com a Método, já possuem ISO 9000 ou estão em processo para a certificação. E os fornecedores executam o trabalho de acordo com especificação da empresa, tanto nos aspectos técnicos como nos administrativos, incluindo segurança do trabalho, recolhimento de impostos e legislação trabalhista.
‘‘Enquanto o parceiro realiza o trabalho de canteiro, a Método ganha tempo para planejar a execução da totalidade da obra’’, diz Fernando Augusto Ferreira, gerente de Procurement. Segundo ele, a partir desse modelo, a construtora passou a apostar na competitividade da cadeia de suprimentos, ou seja, delega etapas de obra, mas assegura o controle da gestão e da supervisão. ‘‘O sucesso está ligado à gestão enxuta, baseada no relacionamento com parceiros’’, acrescenta o diretor da construtora que mantém hoje cerca de 700 funcionários, que correspondem a 15% do quadro que possuía em 1995, quando iniciou o processo. ‘‘Apesar da redução estratégica, a carteira de obras triplicou, em volume, no mesmo período’’, completa Augusto Ferreira.

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