Os anseios do consumidor de classe média impulsionam o crescimento de um segmento específico no mercado da construção civil em Londrina. Na oitava cidade mais verticalizada do mundo, a nova aposta é nos condomínios horizontais e voltados para a classe média. Pipocam em outras regiões da cidade, além da região sul - famosa pelo grande número de condomínios de luxo, outros perfis de empreendimentos. Destinados à chamada classe C, os condomínios se destacam na Zona Leste e na Zona Norte, com terrenos em média de 250 metros quadrados e custo do imóvel em torno de R$ 150 mil, financiáveis em suaves prestações e com taxa de administração mensal mais acessível ao orçamento.
O empresário Manoel Francisco, de 53 anos, vive a expectativa de mudar para a casa nova, no Condomínio Residencial Bela Vista, no Conjunto Alto da Boa Vista, Zona Norte. O sobrado deve ficar pronto em maio. Porém, orgulhoso, ele já mostra os cômodos em fase de acabamento. ''Aqui é o local ideal para mim'', comenta ao olhar para a vista proporcionada pela localização do imóvel. O sobrado tem 125 metros quadrados de área construída, três quartos (uma suíte e uma demisuíte), sacadas, sala ampla, garagem para dois carros e quintal onde será a churrasqueira. O condomínio, dividido em 41 lotes, vai oferecer piscina e churrasqueira na área comum.
Além da segurança e da taxa de manutenção acessível (R$ 60,00), dois fatores influenciaram na decisão de Manoel. O primeiro, é que a casa, como diz a expressão ''chave na mão'', é vendida pronta. ''É melhor que construir, não tem dor de cabeça'', comenta. Outro fator foi a preferência pela Zona Norte, onde morou durante 30 anos, no conjunto Vivi Xavier.
A Construtora Curió, responsável pelo condomínio onde vai morar Manoel, é especializada em condomínios fechados residenciais na Zona Norte. Construiu nos últimos anos dez condomínios nas proximidades do Autódromo Ayrton Senna. No Conjunto Alto da Boa Vista já planeja o próximo condomínio. ''Atendemos um público de classe média, com faixa de renda entre dois a três mil reais'', explica o gerente da construtora, Marcelo Ferrano. Segundo ele, a construtora identificou a demanda na região, valorizada. Investir em imóveis ali ''é comprar e esperar seis meses para ganhar dinheiro'', afirma.
Por sua vez, para o imobiliarista Raul Fulgêncio, ''a região leste é uma grande surpresa'', porque é a iniciativa privada que têm investido na expansão de condomínios fechados, atraída por outros empreendimentos de grande porte e pela instalação do campus da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR). As proximidades da Avenida São João e da Avenida dos Pioneiros, além dos arredores do Hospital Universitário, são centros polarizadores desse tipo de investimento. ''A região sul, é claro, tem mais visibilidade, mas a cidade está crescendo para todos os lados'', observa o empreendedor. Ele avalia que essa característica, os chamados pólos de expansão, são típicos de cidades em processo de crescimento urbano.
Celso Roberto Vignadellle, gerente da CRV Imobiliária, aponta um outro motivo para a tendência no segmento. ''Os incorporadores perceberam que as classes A e B já compraram e as vendas estagnaram, então partem para atender a classe C''. O destaque para ele é a região do Aeroporto. ''Os condomínios já estão por todos os cantos da cidade e há projeções para novos lançamentos'', assegura.

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