Projetos arrojados que visam a sustentabilidade completam a arquitetura empregada no século 21. A consciência ambiental é a palavra de ordem. Arquitetura verde, construção ecológica, arquitetura integrada à energia renovável, tanto outros sinônimos são cada vez mais comuns no vocabulário de quem pensa em construir.
Ações bem pensadas incorporam o conceito de ecologia aliada ao conforto na habitação. É a tecnologia a favor da natureza e do homem. Segundo os arquitetos londrinenses Fabrício Roncca e Lucas Raffo, vencedores do prêmio ''Planeta Casa 2004'', da Editora Abril, que premia as melhores ideias relacionadas às construções sustentáveis, é importante levar em conta três diretrizes. ''A primeira deve ser a preocupação com o projeto, a segunda a escolha do material e a terceira relaciona-se com o plano de trabalho'', destacam.
Materiais diversificados completam o leque de opções oferecidas pelas lojas do ramo onde a política do sustentável é moda. Um novo modelo de empreendimento com estratégias visa reduzir os danos ao meio ambiente, adotando procedimentos como a conservação da água, aproveitamento da energia solar e diminuição da emissão dos gases poluentes.
''Sustentável significa atender a geração futura sem prejudicar a geração atual. É ter consciência ambiental e pensar que recursos naturais podem se esgotar'', explica Raffo. Atualmente os métodos mais conhecidos quando o assunto é sustentabilidade está ligado a redução do consumo de energia. De acordo com Roncca, ''uma ventilação entre a cobertura e a laje ajuda a amenizar o calor sem que haja a necessidade de usar o ar condicionado para amenizar o calor do ambiente. São algumas das soluções importantes'', frisa o arquiteto.
Tijolos reciclados, pisos reutilizados, tintas sem componentes tóxicos e tubulação feita com garrafas pet são alguns dos inúmeros instrumentos que permitem o setor da construção trabalhar a favor do meio ambiente. ''Com a sobra da poda da macieira é possível revestir uma parede ou uma mesa'', exemplifica Fabrício e acrescenta que o bambu é outro material que está em alta na construção.
Lucas comenta que a sustentabilidade é algo antigo se analisarmos. ''Lembro que a minha avó dizia que aproveitava a água da chuva e utilizava nos afazeres de casa'', conta.
Entre os recursos mais utilizados na construção ecologicamente correta está o processo captação da água da chuva para irrigação do jardim e utilização no vaso sanitário.
Truques que fazem toda diferença no a dia a dia. Sistemas de irradiação de calor no piso ajudam a economizar dinheiro com aquecimento. Optar pelo telhado branco e cores claras na pintura da casa ajudam refletir o calor.
Quando o assunto é construção sustentável, outro fator deve ser levado em conta, alertam os arquitetos. ''Saber a procedência do material e utilizar madeira com selo, dar preferência por matéria prima local são atitudes que merecem nossa atenção'', orienta Lucas.
E quando ''a casa dos sonhos'' pede materiais na contramão do ecologicamente correto?
Para os profissionais do ramo da construção é uma questão de atitude e respeito ao ambiente, onde o equilíbrio entre o ''sonho'' e ''preservação dos recursos naturais'' devem se harmonizar.
Segundo Lucas e Fabrício, ''um terço do material utilizado na construção vai para o lixo, além do mais, as edificações são responsáveis por 50% da emissão de gás carbônico. Observe o impacto e desperdiço que isso causa ao ambiente''.
Em relação ao custo, os arquitetos afirmam que ''não dá para mensurar, porque varia de material para material. Em geral, é um pouco mais caro que o convencional, mas o retorno futuro de uma construção sustentável, é compensador'', garantem os arquitetos.

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