A meta da entidade americana responsável pelo selo Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) no Brasil é fechar o ano com 300 empreendimentos em processo de certificação no Brasil. A certificação é concedida pela Green Building Council (GBC) a construções que tenham preocupação com o meio ambiente. Em todo o País, há 14 empreendimentos certificados e cerca de 166 estão em processo de certificação - 5 deles estão no Paraná.
De acordo com dados do GBC, o primeiro registro para certificação com o selo Leed no Brasil veio em 2004, e de lá para cá, os pedidos de certificação caminharam a passos largos. Dos 48 em 2007, os registros chegaram a 104 em 2008 e a 162 em 2009.
O engenheiro Marcos Casado, gerente técnico do GBC, afirma que o grande crescimento de empreendimentos interessados no selo são fruto da maior divulgação do certificado mas também da quebra do paradigma de que é impossível ou caro investir em uma obra nos moldes exigidos pela entidade. ''Não falta material, tecnologia, nem profissional para termos empreendimentos certificados no Brasil. Só é preciso a vontade de fazer algo diferente.''
Para adquirir o certificado, a obra precisa apresentar pré-requisitos como prevenção da poluição durante a construção, economia de água e de energia e depósito e coleta de materiais recicláveis. Outros itens que a construtora incorporar à obra contam pontos que, somados, podem proporcionar ao empreedimento selo prata, ouro ou platinum.
''Os custos de uma obra certificada é de 1% a 7% maior que uma obra convencional. A vantagem é que o custo operacional é menor'', afirma Casado. Ele cita uma redução de 8% a 9% do custo operacional total, incluindo 30% de economia do consumo de energia e 50% de economia de água. Além disso, o empreendimento nos moldes do selo Leed oferece mais qualidade de vida ao condômino, ressalta o gerente técnico, pois exige no projeto detalhes como ambientes providos de iluminação e ventilação natural, por exemplo.
Em Londrina, empreendimento da Imobiliária Raul Fulgêncio - o Ecomercado Palhano - é o primeiro mercado em processo de certificação no Brasil. Segundo a arquiteta Carolina Prates Mori, da empresa Master Ambiental, os itens realizados e previstos devem conferir à obra o selo prata. A Master Ambiental é a empresa que presta consultoria para obtenção do selo em Londrina.
Além dos pré-requisitos, estão previstas no Ecomercado aspectos como reutilização de resíduos industriais na obra, localização próxima a bairros, serviços básicos e pontos de ônibus, bicicletário e vestiário para os funcionários e redução da ilha de calor e da poluição luminosa.
''Desde o início da obra decidimos que ela seria certificada. A previsão é que o custo fique entre 5% e 7% mais alto, mas depois isso pode ser compensado no dia a dia, com economia de energia e de água, por exemplo, o que gera compensações a médio e longo prazo'', diz o diretor Raul Fulgêncio.
No Brasil, o certificado pode ser concedido a construções de qualquer porte, explica Marcos Casado, desde que atendam aos requisitos do selo. Também podem obter o selo construções já existentes mas, nesse caso, a análise é focada na operação e na manutenção do edifício. A única exceção, por enquanto, são as certificações a residências, mas a previsão é que no próximo ano essa situação seja revertida.

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