Um número crescente de empresas está trocando ou planeja trocar os tijolos e a argamassa pelo gesso, na construção das paredes internas das residências e edifícios. Apesar da resistência inicial dos consumidores, construtoras como a Método e a MCM (São Paulo), e a Moro (Paraná) já lançaram empreendimentos com esta tecnologia, apontando uma nova tendência para a construção civil que traz uma redução no custo final da obra de até 20%.
A entrada no mercado brasileiro da Lafarge e da Placo do Brasil (do Grupo British Plaster and Board), duas das líderes mundiais no setor, demonstram que o uso das placas de gesso, revestidos de papel cartonado, está em expansão. Desde a década de 80, a tecnologia do dry wall é usada em construções industriais e comerciais, mas não em obras residenciais. Hoje, o mercado é de 2,5 milhões de metros quadrados ao ano, mas deve crescer 50% ao ano, até 2002.
A Método Engenharia foi pioneira em São Paulo, entregando quatro prédios, com 300 apartamentos, no final de 1996. Em fevereiro passado, lançou o ‘‘Twin Towers’’, com 190 apartamentos, também construídos em dry wall. No mês que vem, lançará mais dois prédios.
No primeiro semetre deste ano, a MCM, também construtora paulista, lançou um condomínio fechado, composto de 16 lofts, que terá toda sua parte interna em dry wall. ‘‘É uma tecnologia para os consumidores de alto padrão. Pois quem conhece o sistema, sabe que essa é a tecnologia mais usada na Europa e Estados Unidos’’, afirmou Cassiano Maciel, diretor da construtora.
‘‘Essa mudança não será de uma hora para outra, mas a presença dos fabricantes no Brasil mostra que há uma estratégia para expansão do mercado’’, analisou Maria Angélica Covelo Silva, do Centro de Tecnologia de Edificações, durante um seminário promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon).
No final de 1995, tanto a francesa Lafarge quanto a inglesa Placo chegaram ao Brasil. A Lafarge comprou a única empresa nacional que fabricava placas de gesso, a Gypsum, adotando seu sistema de qualidade. A Placo, com uma fábrica em Petrolina (PE), que já não atende à demanda do mercado, está investindo US$ 25 milhões, em uma nova indústria em Mogi das Cruzes (SP); serão 15 mil m2 de área construída, com início das operações previsto para o primeiro semestre de 1998.
Segundo Newton Luis Antonialli, gerente comercial da empresa, a nova fábrica terá capacidade instalada para produzir 11 milhões de metros quadrados ao ano. ‘‘Com algumas adaptações, podemos dobrar a capacidade da fábrica’’, disse Antonialli.
Uma das pioneiras no Paraná, a Moro Construções Civis, entregou em janeiro de 1994, em Curitiba, as primeiras 160 unidades com o sistema. ‘‘O Edifício Champagnat Park, com apartamentos de 110 m2, foi sucesso de vendas,’’ comenta Giovanni Luis Trento, engenheiro técnico responsável pela implantação do dry wall nas obras da construtora. ‘‘É o caminho para o desenvolvimento tecnológico da indústria da construção civil. O sistema alia benefícios tanto para o construtor quanto ao consumidor, pois além de ‘aliviar’ a estrutura física do edifício, permite a flexibilidade interna e um maior conforto térmico e acústico interior’’.
Nestes últimos dois anos, a empresa já entregou 220 apartamentos, totalizando 31.724 metros quadrados de construção em dry wall; e dos 240 mil m2 que estão sendo construídos atualmente pela Moro, 103 mil metros quadrados utilizam o sistema. Ou seja, até dezembro de 99, outras 785 unidades estarão concluidas e edificadas com esta tecnologia.
O gerente regional da construtora, Pedro Bobroff, comenta que a Moro criou um Centro Tecnológico próprio, onde são realizados os testes e confeccionados todos os kits hidráulicos e elétricos, necessários ao sistema. (colaborou Agência Estado)
Serviço:
Distribuidor em Londrina: (043) 324-6280

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