Construção terá mais recursos com o 2º upgrade
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sábado, 31 de maio de 2008
Chiara Quintão<br>Agência Estado 
São Paulo - O setor de construção civil será beneficiado com a entrada de recursos decorrente da segunda nota de grau de investimento obtida esta semana pelo Brasil da agência Fitch. Muitos fundos de pensão estrangeiros que só podem investir em países que possuem a nota concedida por, pelo menos, duas agências de classificação de risco, podem agora realizar aportes no País. A nota da Fitch se soma ao investment grade já concedido pela Standard & Poors (S&P).
Grandes investidores que se sentiam atraídos pela possibilidade de retornos elevados diante das taxas de juros do Brasil, mas tinham limitações legais para aplicar no País vão trazer mais recursos para o setor. As taxas de captação também devem ser reduzidas, o que vai estimular também que as empresas de construção busquem aportes no exterior, segundo o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira.
De acordo com Oliveira, o preço dos terrenos tenderá a ser valorizado como consequência dos aportes que ingressarão no País. Com isso, num primeiro momento, o preço dos imóveis deverá ser elevado. Num prazo mais longo, porém, a tendência é de queda do valor dos imóveis, segundo o vice-presidente da Anefac, em decorrência do crescimento da concorrência, com maior produção imobiliária, e de as empresas captarem recursos a taxas menores.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, espera que o capital que entrará no País beneficie inclusive a produção de materiais. Isso ocorreria por meio de compra de participação de empresas do segmento por investidores estrangeiros ou da abertura de capital.
''Nosso crescimento vem se mostrando sustentável. No ano passado, crescemos 15,5% e, no primeiro quadrimestre, 28%'', disse Fox. Ele ressalta que além da produção residencial e das obras de infra-estrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o setor será impulsionado pela Copa de 2014.
Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), João Cláudio Robusti, é menos otimista e diz que o setor só deverá se beneficiar do investment grade posteriormente. A mudança imediata para as empresas de construção é que a procura por papéis do setor deve crescer, segundo ele.


