Rio de Janeiro - A construção residencial está puxando os indicadores de investimento no País, avalia o economista Sérgio Vale, da MB Associados. A maior parte do crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (rubrica que determina a taxa de investimento) no primeiro trimestre, de 3,7% ante o trimestre anterior e de 9% ante igual trimestre do ano passado, foi alavancada pelo setor, afirma Vale.
Segundo o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60% da FBCF são compostos pela construção e 40% por máquinas e equipamentos. Vale afirma que não há crescimento significativo na construção de fábricas ou em infra-estrutura. O economista avalia que, na construção residencial, os investimentos estão ocorrendo especialmente em reformas ou em empreendimentos para a classe alta. ''A classe alta continua comprando (imóveis), a classe baixa faz reformas e a classe média está parada'', disse.
Os dados nacionais do Sindicato da Indústria da Construção do Rio (Sinduscon-Rio) confirmam que a construção residencial está em bom ano, mas o crescimento se concentra especialmente em reformas ou compra de imóveis usados, sem grandes avanços em novos empreendimentos.
O presidente da entidade, Roberto Kauffmann, disse que as aplicações do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em atendimento habitacional (imóveis usados e material de construção) totalizaram R$ 2,34 bilhões no acumulado de janeiro ao início de julho. Em todo o ano de 2005, essas aplicações não ultrapassaram R$ 3 bilhões. Este ano, a expectativa é de que passe dos R$ 4 bilhões.
No caso das aplicações do FGTS para produção de imóveis novos, entretanto, o acumulado até julho foi de R$ 1,53 bilhão, enquanto em todo o ano de 2005, foram aplicados R$ 2,5 bilhões. Ou seja, a probabilidade, segundo Kauffmann, é de que no caso dos imóveis novos o resultado da construção neste ano não seja muito diferente do ano passado.
O maior incremento está ocorrendo em saneamento, cujas aplicações do FGTS já somam R$ 860 milhões em 2006 até julho. Em todo o ano de 2005, não foram aplicados mais de R$ 34 milhões neste segmento.
As aplicações do FGTS respondem por 50% dos recursos para o segmento habitacional, segundo Kauffmann. No caso da poupança, responsável pelos demais 50% dos recursos, de janeiro a maio de 2006 foi aplicado R$ 1,8 bilhão para aquisição de imóveis prontos, quase o total aplicado em todo o ano passado (R$ 2 bilhões).
No caso da produção de imóveis novos, o desempenho neste ano também está em ritmo similar ao do ano passado. Os recursos da poupança somaram R$ 1,4 bilhão até maio, ante R$ 2,8 bilhões no total de 2005.
Cimento - O crescimento da construção está embalando o consumo de cimento no País. Dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic) apontam um aumento de 8,5% do consumo no acumulado de janeiro a maio, ante igual período do ano passado.
O secretário-executivo do sindicato, José Otávio Carvalho, disse que a expansão é resultado do bom desempenho da construção habitacional e também da infra-estrutura. A estimativa de Carvalho é de uma produção de 38 milhões de toneladas de cimento em 2006, ante 36,7 milhões em 2005. Segundo ele, mesmo com o crescimento em relação ao ano passado a indústria de cimento ainda não chegará, em 2006, aos níveis de produção de 1999, quando foram produzidos 40 milhões de toneladas.

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