Construção quer repetir bom desempenho em 2008
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domingo, 30 de dezembro de 2007
Erika Zanon e Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O bom desempenho da indústria da construção civil no Paraná neste ano deve ser repetido em 2008. Projeções dos sindicatos ligados ao setor em todo o Estado apontam para um crescimento de até 30% na quantidade de lançamentos imobiliários em algumas regiões. Na Região Norte o segmento deve crescer 12% em relação a 2007. O Noroeste - que este ano viveu um ''boom'' na construção - deve continuar com o mesmo ritmo em 2008.
Esse crescimento foi impulsionado, em Maringá, pela liberação para construção na área em que era ocupada pela estação ferroviária e seus transbordos. Desta forma, o ''novo centro'' - como a nova área está sendo chamada - foi loteada e está sendo ocupada por construções de edifícios residenciais e comerciais. Estimativas do Sindicato da Construção Civil da Região Noroeste (Sinduscon Noroeste) indicam que a indústria da construção civil cresceu 10% com relação ao ano passado.
Este aquecimento é confirmado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, que aponta a oferta de novas vagas de emprego. Até novembro deste ano, o saldo (diferença entre as admissões e os desligamentos) é de 418 empregos. Em 2006, a indústria da construção terminou o ano com saldo negativo de cinco vagas, o que significa que mais trabalhadores foram demitidos do que admitidos. ''O setor começou a aquecer a partir do segundo semestre, o primeio semestre foi mais fraco'', avalia Adolfo Cochia Júnior, presidente do Sinduscon Noroeste.
Além disso, fatores como o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o excesso de crédito no mercado e os juros mais baixos contribuíram para o crescimento da construção civil. ''Para o ano que vem há expectativa de aumento não só de lançamentos imobiliários, mas de obras públicas'', diz Cochia. No entanto, o Sinduscon não projeta um crescimento tão forte como o que ocorreu neste ano, principalmente, porque 2008 é ano eleitoral, o que impede que o setor público faça contratações durante os seis meses que antecedem as eleições.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Carlos Tavares, a expectativa é que no próximo ano a quantidade de lançamentos imobiliários seja maior do que a registrada neste ano. ''Vários projetos residenciais serão lançados em 2008; são de médio porte, mas são em grande quantidade'', observa. Apesar do forte crescimento da construção civil registrado neste ano, ele informa que o segmento não foi o grande gerador de empregos em números absolutos. Em primeiro ficaram os serviços, seguido pela indústria da transformação e pelo comércio.
Na sua avaliação, o crescimento da construção foi favorecido também pela grande oferta de financiamentos e pelo bom momento vivido pelo agronegócio, uma vez que parte desta rentabilidade dos produtores é investida em imóveis urbanos. ''Além disso, a renda das famílias aumentou, cresceu a oferta de empregos, o que facilita a aquisição da casa própria'', comenta.
O Sinduscon-Paraná também acredita que o bom desempenho do setor em 2007 deve permanecer no próximo ano, principalmente por conta da estabilidade da economia. Em recente reportagem publicada na FOLHA, o presidente do sindicato, Hamilton Pinheiro Franck, comentou que a expectativa é que em 2008 os lançamentos de novos imóveis aumentem mais de 30% em relação ao período anterior.
Em Curitiba, conforme dados do Sinduscon-Paraná, o crescimento é evidente: até novembro foram emitidos alvarás para construção de 12.286 novas unidades, 20% a mais do que o mesmo período de 2006; lançados 3.144 empreendimentos residenciais verticais, representando um aumento de 89% em relação ao mesmo período do ano passado. Como consequência, em 2007 foram gerados 10.299 novos empregos no setor em todo o Estado, sendo a metade em Curitiba.


