Construção quer adequação de custos
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domingo, 16 de novembro de 2003
Reportagem Local 
A queda de renda da população e a alta incidência da carga tributária sobre os produtos imobiliários são os principais responsáveis pela retração da construção civil, percebida em várias localidades do País. A avaliação é de Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Segundo ele, ''não há expectativa de reverter esse quadro até dezembro.''
O macrossetor está se organizando em torno de um projeto a ser apresentado até meados de dezembro ao governo federal, que irá abranger inicialmente os setores de moradia, saneamento e transportes. ''Este projeto mostrará a consolidação da união de toda a cadeia produtiva do setor'', afirmou Simão. Segundo ele, um dos motivos para que o setor - um dos maiores geradores de emprego e renda do País - ainda não receba a devida atenção dos poderes públicos é porque age de forma pontual e desarticulada.
Conforme o empresário, o projeto pretende estimular a indústria da construção civil que vem sofrendo por três anos consecutivos redução no seu Produto Interno Bruto (PIB): em 2001, a queda foi de 2,60% e em 2002, foi de 2,52%. Para este ano, a previsão do setor é de que a retração seja de cerca de 8%.
''O governo federal optou neste seu primeiro ano em 'arrumar a casa', controlando a inflação e o superávit primário. Vencida esta etapa esperamos retomar o crescimento'', disse Simão, enfatizando que este o projeto do macrossetor contribuirá para essa retomada.
Apesar de apostar na atenção do governo federal para com a proposta de estímulo à moradia, saneamento e transportes, Simão reclamou que a CBIC não obteve sequer uma resposta do Plano Emergencial de Obras apresentado ao presidente Lula em agosto deste ano. ''O Plano contempla a execução de obras habitacionais e públicas com recursos já aprovados pelo governo no orçamento de 2003. Portanto, são obras que poderiam ser iniciadas a curtíssimo prazo, pois estão previstas para o ano'', explicou.
O presidente da CBIC também criticou a reforma tributária do governo federal e o acréscimo da alíquota da Cofins de 3% para 7,6% anunciada no início do mês. ''Apesar de que a maioria das empresas do setor optam pela declaração do lucro presumido e por isso não estarão sujeitas ao aumento, muitas outras empresas serão afetadas''. Segundo ele, os tributos que incidem sobre a construção de uma moradia popular são da ordem de 35%.


